por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa Com Blog do Noblat - O Globo
O que dá pra rir, dá pra chorar, questão só de peso e medida, problema de hora e lugar, mas tudo são coisas da vida... O que dá pra rir, dá pra chorar...”
O presidente do Senado Federal foi enfático em sua declaração contra
aumento de impostos. Seu tom era o mesmo que nós, simples mortais,
usamos ao reclamar do governo: “onde já se viu aumentar impostos? De
modo algum, o governo que não venha com mais essa barbaridade para cima
de nós!”.
Renan saía de um jantar com governadores e outras doutas figuras de seu
partido quando afirmou que para o PMDB, em primeiro lugar, vem o "dever
de casa que é cortar despesas e dar eficiência ao gasto público".
Meninos, fiquei boquiaberta! Mas, como boa brasileira, aceitei o milagre
e vibrei com a entrada do bom senso na cabeça do senador. Confesso que
ainda pensei: “mais uma que devemos ao extraordinário médico do Recife
que fez nascer cabelos na careca do senador. Vai ver aproveitou e deu
uma sacudidela nos neurônios do alagoano que, livres da poeira de anos,
passaram a pensar melhor”.
Passou rápido minha fé no tratamento pois logo em seguida li duas coisas
estarrecedoras: a troca da frota de veículos usados pelos senadores,
assim como a colocação de um novo carpete azul pavão no Plenário e no
Salão Azul onde os membros do Senado Federal nos favorecem com seus
discursos inflamados e... inflamados.
Não é pouca coisa a troca dos carpetes. São quase quatro mil metros quadrados de tapetes, com muita mão de obra. A um precinho simpático: R$550 mil. Mas era imprescindível pois – copio do portal do Senado – havia “necessidade de uma apresentação compatível com a importância da Instituição Senado Federal”.
Não é pouca coisa a troca dos carpetes. São quase quatro mil metros quadrados de tapetes, com muita mão de obra. A um precinho simpático: R$550 mil. Mas era imprescindível pois – copio do portal do Senado – havia “necessidade de uma apresentação compatível com a importância da Instituição Senado Federal”.
Já os carros oficiais serão trocados porque os atuais Renault Fluence
têm dois anos de uso! Sou péssima em contas portanto peço a um leitor
de alma generosa que faça as contas para mim: quantos dias por ano um
senador usa seu carro oficial em Brasília (não se esqueça, leitor amigo,
das férias)?
Quantos carros são ao todo? Sei que temos 81 senadores, mas Renan tem
direito a dois carros por motivos “nunca dantes navegados”, como diria
Camões. Fora os carros da segurança dos senhores senadores, sempre tão
ameaçados.
Será que os carros novos, Nissan Sentra, durarão mais do que os Renault
Fluence? Eu ia dizer os velhos Renault, mas o grilo falante que habita
minha cabeça me impediu de chamar de velhos um carro com dois anos de
uso.
Mas não é só o Legislativo que é engraçado. No Executivo temos Joaquim Levy, que chegou ao governo Dilma precedido por um mantra ecoado de Norte a Sul, “Agora Vai!”. Só que não deu uma dentro. E nunca foi tão curioso como nos últimos dias em Paris.
Mas não é só o Legislativo que é engraçado. No Executivo temos Joaquim Levy, que chegou ao governo Dilma precedido por um mantra ecoado de Norte a Sul, “Agora Vai!”. Só que não deu uma dentro. E nunca foi tão curioso como nos últimos dias em Paris.
É verdade que Paris mexe com nossa cabeça. Uma caminhada ao longo do
Sena é um perigo! Um sorvete no Bertillon pode mudar nosso destino. Isso
é sabido. Mas a ponto do ministro da Fazenda deste Brasil tão
estropiado dizer, diante da nota vermelha do S&P, que seu ministério
não falhou: “A gente tem dado diagnóstico transparente, verdadeiro e
agora as pessoas têm de tomar a sua responsabilidade. O governo deve
cortar mais do que já cortou, mas (a população) tem de ter a disposição
de fazer um sacrifício maior para todo mundo poder voltar a ver a
economia crescendo”, isso foi um pouco demais.
Lá ele declarou que nós pagamos menos IR que muitos países e que isso
não pode continuar. Onde já se viu uma coisa dessas? A sociedade
brasileira quer continuar com essa vida farta: boas estradas, boas
escolas, serviços de saúde de primeiríssimo mundo, moradias populares e
esgoto sanitário em todos os municípios, transportes que cruzam o país?
Que façam um sacrifício, ora vejam!
Quando dona Dilma o nomeou ministro, achei que não ia dar certo: eram de mundos opostos. Que nada! Foram feitos um para o outro!
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