por Igor Gielow FOLHA DE SÃO PAULO
Michel Temer é o proverbial "gentleman", uma ave rara em seu comedimento
e gentileza no trato, além de possuir um talento incomum para lidar com
catástrofes –vide sua intervenção como secretário de Segurança paulista
após o massacre do Carandiru em 1992.
Na quinta (3), para uma plateia sedenta de pancada no seu governo, ele
foi inconvenientemente sincero, assim como na entrevista nervosa em que
decretou a necessidade de um unificador do país.
Disse verdades, e ainda assim sob um ponto de vista otimista para o
governo. Afirmou que Dilma não se aguenta com a popularidade que tem e
que, se for cassado com a chefe pelo TSE, irá para casa "feliz".
A senha final anunciando o desembarque do governo, negada de cima abaixo
durante a sexta (4), foi dada. O PMDB na figura do vice enfim largou
Dilma, ainda que ele, como disse, não vá "mover uma palha" para atrair a
acusação de golpista.
Mais chamativa, contudo, é sua disposição de "ir para casa feliz". Esse
desprendimento, sincero ou não, ecoa o que os empresários empenhados em
tentar apoiar a tal estabilidade de seus ganhos querem ouvir. É precisa
muita maldade impopular para consertar a hecatombe que o PT deixou nas
contas públicas.
Até os amigos de Dilma no PIB, temerários por seus lucros, deram um
ultimato, após a presidente ter rasgado o apoio conferido nas últimas
semanas ao apresentar um Orçamento deficitário –só para recuar.
Como numa corte otomana, a petista se vê acossada por vizires, os
famosos "assessores presidenciais". É intriga atrás de intriga, rumo ao
oblívio, embaladas não por uma banda militar de janízaros, mas pelos
acordes da "Bohemian Rhapsody" associada usualmente a seu grão-vizir.
Na hipótese de que Temer não será colhido pelo vendaval, a pergunta é:
ele está pronto para assumir seu papel na história ou quer ir "feliz"
para casa?
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