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11:45
ANDRADEJRJOR
Zuenir Ventura O Globo

O
vocabulário da política está infiltrado de termos da página policial:
ameaças, intimidação, perseguição, temor, pressão. Todo mundo anda
assustadoDe
que ou de quem se tem tanto medo em Brasília? O vocabulário da política
está infiltrado de termos da página policial: ameaças, intimidação,
perseguição, temor, pressão. Todo mundo anda assustado, a começar pela
presidente, que não deve dormir direito, atormentada por pesadelos como
“pautas-bomba”, “pedaladas”, “impeachment”, até a oposição, apreensiva
por não saber bem o que fazer numa hora dessas. Foi por medo, por
exemplo, que a advogada Beatriz Catta Preta deixou não apenas a causa de
seus nove clientes da Operação Lava-Jato, mas, numa decisão drástica, a
própria profissão — medo das “ameaças veladas” que disse vir recebendo
de integrantes da CPI da Petrobras. Em entrevista exclusiva ao repórter
César Tralli, do “Jornal Nacional”, ela contou que resolveu encerrar uma
carreira de sucesso diante da “tentativa de intimidação a mim e à minha
família”.
Ao
ser perguntada se o deputado Eduardo Cunha estava por trás dessas
ameaças, Beatriz foi cautelosa e não confirmou, mas não hesitou em
afirmar que elas aumentaram depois que seu ex-cliente, o empresário
Julio Camargo, acusou o presidente da Câmara de ter recebido US$ 5
milhões de propina no escândalo da Petrobras. E por que não fez antes?
“Medo de chegar” a ele. E, também pela mesma razão, teria voltado atrás,
citando-o, para não perder os benefícios da delação premiada.
O
autor da convocação da advogada à CPI foi o deputado Celso Pansera,
apontado por Yousseff como autor das intimidações às suas filhas e sua
ex-mulher. Sem revelar o nome, disse que era um “pau-mandado” do
presidente da Câmara. Identificado como tal, Pansera negou
“enfaticamente” esse papel junto ao amigo, mas não pôde desmentir o
pedido à CPI de quebra de sigilo da família do doleiro. Em seu acordo, o
delator contara ao juiz Sérgio Moro que, quando líder do PMDB na
Câmara, Eduardo Cunha teria recebido a propina de Camargo. Os advogados
que assumiram o lugar de Beatriz na defesa de Camargo acusam Cunha de
estar agindo com a “lógica da gangue”.
Isso
porque, de forma direta ou velada, o presidente da Câmara se tornou o
bicho-papão desse reino do medo em que se transformou a capital do país,
com sua estratégia de se defender atacando com agressividade. Se, como
se diz, coragem é a arte de ter medo sem parecer, é possível que o
político que inspira tanto medo também esteja tão temeroso quanto os que
o temem. E com forte motivo para isso. Seus fantasmas talvez estejam
encarnados num personagem que não faz bravatas, não ameaça e não tem
cara de mau, enfim, a serena, mas firme figura que comanda as
investigações da Operação Lava-Jato: o juiz Sérgio Moro.
extraídadeaverdadesufocada
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