Jornalista Andrade Junior

sábado, 1 de agosto de 2015

CATILINÁRIA

MIRANDA SÁ 
“Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós?” (Marcus Tullius Cicero)

 O embate de Marcus Tullius Cicero contra Lúcio Sérgio Catilina é envolta de muito mistério. Historiadores especializados em História Romana não conseguem unificar opiniões; e assim persistem controvérsias a respeito da adoção político-ideológica das duas figuras que tanto se projetaram, chegando à atualidade. A única convergência é que ambos são tratados apenas pelo primeiro nome: Cícero e Catilina.

O que nos chega ao exame dos fatos é a versão dos inimigos de Catilina, tal como nos ensinou o grande Machado de Assis no seu romance Quincas Borba: “Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”.

O vencedor, Cícero, é por demais conhecido; quanto a Catilina há apenas retalhos do seu perfil. Foi amigo de Júlio César e de Crasso, e seguiu a carreira política, como questor, pretor e governador da África.

A briga dos dois começou quando Catilina candidatou-se a cônsul e foi derrotado por Cícero. A derrota se deveu à acusação de que ele desejava a volta da monarquia, conspirando com jovens patrícios ambiciosos e com os gauleses insatisfeitos com a administração de Murena, indicado por Cícero.

Levando à nuvem a verdade histórica e mesmo a sua explicação, o que restou foram os discursos do orador ímpar que foi Cícero. Nos meus tempos de ginásio (2º grau) a gente estudava latim, e as peças mais apreciadas eram justamente as quatro ‘Catilinárias’, onde aprendíamos a força das palavras.

Nos vestibulares para Direito, também entrava o latim e, consequentemente, Cícero; e o verbete ‘catilinária’ compõe os dicionários como acusação violenta e eloquente, censura, repreensão veemente.

Quando cobri as sessões da Câmara dos Deputados, ainda no Rio, no Palácio Tiradentes, ouvi muitos discursos com frases tiradas das Catilinárias, e uma delas era repetida quase sempre: “Oh, tempos, oh, costumes”.

O tempo e os costumes de agora nos fazem lamentar a falta de um grande orador no Congresso Nacional. Falta alguém para traduzir o sentimento indignado do povo contra o domínio do mal representado pela dupla nociva de Lula e Dilma; falta alguém que acuse diretamente a roubalheira e a incompetência com a força da razão.

Lembro o capítulo da História do Brasil em que o paraibano José Américo de Almeida semanas antes do golpe de 1937 verberou contra o governo Getúlio Vargas: “É preciso que alguém fale, e fale alto, e diga tudo, custe o que custar!”

Reconheço que não faltam parlamentares oposicionistas atacando o insano governo Dilma. Há muitos, e eu até tenho me surpreendido com a qualidade de alguns jovens deputados e senadores que assisto pela TV. A falha está no uso de uma linguagem que o povo entenda, dizendo tudo, trocando em miúdos o que os assaltantes do patrimônio público fazem no Brasil.

É preciso traduzir para o povo as alianças espúrias do lulo-petismo com ditadores, terroristas e até com o crime organizado. A arte de discursar manifestando com discernimento precisa ser levada às massas.

Para desmascarar a pelegagem corrupta que ocupa o poder repudiado por 93% do povo brasileiro estaríamos melhor com a oratória elegante de um Carlos Lacerda, Flores da Cunha, João Mangabeira e Vieira de Melo ou a vibração contundente de um Leonel Brizola.

Lembro que a primeira Catilinária foi um improviso de Cícero cara a cara com Catilina, que poderia ser dirigida hoje à organização criminosa que domina o País e ao golpismo sórdido de Lula da Silva, com as mesmas palavras: “Não vês que a tua conspiração já está dominada por todos que a conhecem?”

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