Dyelle Menezes - Contas Abertas
O levantamento do Contas Abertas considerou a subfunção “Educação
Básica”. Os dados são correntes e condizem com o período de 2012 a 2014.
Em 2015, R$ 9,4 bilhões estão previstos para a iniciativa, mas até o
momento R$ 29,6% (R$ 2,8 bilhões) foram desembolsados.
O maior orçamento do período foi autorizado em 2013, quando R$ 9,7
bilhões estavam previstos para a subfunção. Porém, somente R$ 5,7
milhões foram efetivamente desembolsados, isto é, 59,5% do total. A
média é parecida com a de 2012, quando 52,7% dos R$ 9 bilhões previstos
para o período foram utilizados R$ 4,8 bilhões.
Já em 2014, a execução foi significativamente maior. Cerca de R$ 9,1
bilhões foram autorizados para Educação Básica no exercício. Do total,
86,3%, ou R$ 7,8 bilhões, foram efetivamente utilizados.
Os valores autorizados para subfunção incluem basicamente dois
programas: o de gestão e manutenção e o temático “Educação Básica”. A
ação envolve, por exemplo, o apoio ao transporte escolar,
infraestrutura, produção, aquisição e distribuição de livros e materiais
didáticos, e desenvolvimento da educação básica em comunidades.
A inclusão de crianças e adolescentes na Educação Básica é parte da meta
1 do movimento: até 2022, 98% ou mais das crianças e jovens de 4 a 17
anos deverão estar matriculados e frequentando a escola, ou ter
concluído o ensino médio.
O Todos Pela Educação aponta que 2.863.850 crianças e adolescentes entre
4 e 17 anos estão fora da Educação Básica (680 mil crianças de 4 e 5
anos e 1,6 milhão de jovens de 15 a 17 anos). Desde novembro de 2009,
uma emenda constitucional amplia a matrícula obrigatória para crianças
de 4 e 5 anos e jovens de 15 a 17 anos, estabelecendo 2016 como prazo.
Em 2013, o Brasil registrou 93,6% da população de 4 a 17 anos
matriculada na Educação Básica, abaixo da meta intermediária proposta
pelo TPE para o ano, que era 95,4%.
O movimento aponta que há diferenças regionais e de aspectos
socioeconômicos. “Entre os 25% da população com maior renda, 95,8% das
crianças de 4 e 5 anos frequentam a escola, enquanto a taxa de
atendimento dessa faixa etária entre os 25% com menor renda é de 85%”,
aponta o relatório.
Se consideradas questões regionais, Acre, Amazonas e Amapá apresentam as
menores taxas no atendimento escolar dessa população em 2012 e 2013:
89,6%, 90,1% e 90,3%, respectivamente.
Relatório
Além da inclusão das crianças e adolescentes na escola, o relatório
apontou que o país precisa garantir que os já matriculados concluam os
estudos dentro da faixa etária recomendada e com melhores índices de
aproveitamento das disciplinas.
De acordo com Alejandra Velasco, coordenadora-geral do TPE, fazer com
que o aluno entenda a importância de se manter na escola é necessário.
“O ensino médio deve fazer sentido para o jovem. Os maiores desafios
estão no ensino médio. O desafio de fazer o jovem chegar até à escola,
conseguir reter este aluno no ensino médio e tornar o ensino médio
atraente”, afirma.
As deficiências foram apontadas em detalhes no relatório “De Olho Nas
Metas 2013-14″. Elas foram constatadas principalmente através do
monitoramento de dados oficiais (Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílio (Pnad) 2013 e na Prova Brasil/Saeb (MEC/Inep) 2013 divulgados
entre o final de 2014 e início de 2015).
O estudo publicado tem o objetivo de acompanhar o cumprimento de cinco
metas estabelecidas pelo movimento para serem alcançadas até 2022 no
país.
Não falta recurso
Em artigo, o empresário e coordenador do Movimento Brasil Eficiente,
Carlos Rodolfo Schneider, apontou que, infelizmente, o Plano Nacional de
Educação não se preocupou com a qualidade da gestão do sistema e dos
recursos.
“A destinação de verbas às Escolas independe do desempenho. Boas ou
ruins, a garantia de verbas é a mesma, o que desestimula a boa gestão”,
explica.
Para ele, a falta de estímulo aos bons professores acaba nivelando-os
com os maus profissionais. Outro ponto levantado pelo especialistas é a
pesquisa internacional sobre Ensino e aprendizagem realizada pela OCDE
em 34 países denominada Talis. O relatório concluiu que os Alunos
brasileiros são os mais indisciplinados em sala de aula.
“Os professores gastam 20% do tempo para manter a ordem em classe,
contra média internacional de 13%. Mais de 60% dos professores do ensino
secundário no país, contra 40% na Malásia, 20% na Coreia do Sul e menos
de 15% no Japão, apontam 10% ou mais dos estudantes com mau
comportamento. De acordo com a pesquisa, no Brasil, um terço da aula é
desperdiçado com tarefas que não agregam conhecimento ao aluno, contra
um quinto em média, nos outros países”, escreve.
“Podemos concluir com segurança que, também na Educação, a questão no Brasil não é gastar mais, mas melhor”, afirma Schneider.
extraídaderota2014blogspot





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