por Igor Gielow FOLHA DE SÃO PAULO
Após algumas das semanas mais críticas da crônica de horrores que o
acompanha desde outubro de 2014, o governo considera que a pressão foi
algo aliviada após a caudalosa entrevista da presidente à Folha e seu
sumiço internacional subsequente.
Auxiliares presidenciais pontuam o "algo" do alívio, apesar da retórica
de Dilma "Eu Não Caio" Rousseff, de resto reprovada pelos próprios,
cientes da fragilidade da chefe.
A prudência se dá pelo óbvio. O governo tem muito pouco a oferecer e
está basicamente na mão do PMDB. Será o partido no comando do Congresso e
da vice que, considerando improvável a cassação do diploma de Dilma
pelo TSE, definirá o ritmo do esticamento de uma corda que para muitos
já parece arrebentada.
Por ora, o que o Planalto pode ofertar é fisiologia comezinha, já que o
dinheiro acabou. Precisa empacotar melhor os planos que tira do chapéu: a
MP flexibilizando salários e jornadas foi um exemplo acabado de como
não apresentar uma medida importante à sociedade.
E tem de rezar para a melhora econômica, central para a sobrevivência ou
não do governo. Para tanto, a medida "tipo tipo" deixada no ar pelo
dilmês empregado na entrevista será uma última tentativa de convencer o
mercado de que o ajuste fiscal é sério; o governo sabe que a recessão
com inflação está envenenada pela deterioração de expectativas.
Além de buscar mais arrecadação, o que está sendo elaborado agora é
algum tipo de corte mais qualificado nos gastos do governo. O "tipo
tipo" é tesourada, das bravas.
A questão é que o tempo da economia não é o mesmo da política. A Lava
Jato segue implacável, e há o temor de que as ruas voltem a rugir no
protesto de 16 de agosto.
Para tentar auscultar o movimento, o Planalto já montou uma central de
monitoramento de rede sociais. A essa altura, contudo, é praticamente
tudo o que pode fazer.
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