por Ruy Castro Folha de São Paulo
Como diria o conselheiro Acácio, o bom da ficção é que ela não tem
compromisso com a realidade. Descobri esse óbvio ululante há alguns
anos, ao tirar férias das biografias para escrever dois romances, "Bilac
Vê Estrelas" e "Era no Tempo do Rei". Embora trabalhasse com
personagens reais, respectivamente o poeta Olavo Bilac e o jovem
príncipe D. Pedro, podia fazê-los falar o que eu quisesse. Mas, não sei
como, em certo momento ganharam autonomia e passaram a falar por conta
própria.
A presidente Dilma, ela, em si, um personagem de ficção –seu autor foi
Lula–, já atingiu o estágio em que pode falar o que quiser, sem
compromisso com a realidade e, muitas vezes, significando o contrário.
Exemplo: em 2014, antes da eleição, foi à TV anunciar um corte de 18%
nas contas de luz e que o Brasil era "o único país a baixar o custo da
energia e aumentar a produção no setor elétrico".
Não ria.
Há meses, Dilma anunciou o programa "Brasil: Pátria Educadora". Ato
contínuo, decepou 31% do orçamento do MEC (o maior corte entre todos os
ministérios), representando R$ 7 bilhões a menos em circulação no setor.
Tal medida deixou de tanga professores, alunos, bolsistas, funcionários
das universidades, terceirizados e fornecedores, além de apunhalar o
setor editorial com a queda radical na compra de livros este ano e
calote nas compras do ano passado.
Esta semana, Dilma comparou-se a Tiradentes e declarou "não respeitar
delatores". Referia-se aos que estão praticando a delação premiada,
medida que ela assinou, autorizando, e elogiou em outubro último como
"útil para desmontar esquemas de corrupção".
Agora, jogando para a galera em Washington, Dilma prometeu que "até
2030, o Brasil terá desmatamento zero". Considerando-se seu histórico,
tudo indica que, até 2030, teremos uma Amazônia careca.
EXTRAÍDADATRIBUNADAINTERNET





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