por Carlos Alberto Di Franco.
Os últimos vinte anos caracterizam-se por um intenso aumento do
consumo de drogas no Brasil e, proporcionalmente, um declínio em várias
partes do mundo. A resposta dos governos FHC, Lula e Dilma tem sido
amadorística, fragmentada e absolutamente insuficiente para enfrentar
todos os desafios. O governo federal, infelizmente, tem sido tolerante
com os nossos vizinhos produtores de drogas (Bolívia, Colômbia, Paraguai
e Peru) e até mesmo com milícias, como as Farc. Com essa atitude
leniente deixamos desenvolver um grande mercado de drogas, de norte a
sul, de leste a oeste, nas grandes e pequenas cidades. Não existe região
brasileira hoje que não esteja duramente marcada pela tragédia das
drogas. É uma rede complexa, que envolve desde uma dona de casa, um
motorista de táxi, um usuário de drogas, resultando em um mercado cada
vez mais intricado, com vários tipos de trocas, e envolvendo outras
atividades legais como transporte, estocagem, aviação e até mesmo
bancos. O sistema policial tem feito a sua parte e cerca de 15% dos mais
de 700 mil presos no Brasil são decorrentes do tráfico. A partir de
2006, com a lei 11.343, nenhum usuário foi preso simplesmente pelo fato
de consumir drogas.
Essa mudança legal na época foi considerada
boa até mesmo pelos setores da sociedade que defende a legalização das
drogas. Ela poderia ter sido um avanço se, com a despenalização do
usuário, fosse acrescentada como alternativa o necessário encaminhamento
para o tratamento e orientação, como uma das medidas para não só ajudar
o usuário, mas também enfraquecer a rede do narcotráfico. Nada disso
foi feito, e o que ocorreu nesses últimos 10 anos foi um contínuo
aumento e diversificação do tráfico e do consumo. Os países que
conseguiram combinar uma ação legal firme com uma estrutura de
tratamento efetivo poderiam ser considerados paradigmas para o Brasil. A
Suécia, por exemplo, mudou sua postura depois de reconhecer o impacto
negativo das medidas mais "liberais". Lá - onde o consumo de drogas
voltou a ser ilegal após cerca de 30 anos de liberação - os dependentes
surpreendidos por qualquer agente da lei, da segurança ou do serviço
social devem ser encaminhados para tratamento. Esse tipo de política,
que é consensual na Suécia, leva os diferentes partidos a desejar que a
próxima geração de suecos não faça uso de nenhuma droga.
Essas
histórias de sucesso não são levadas em consideração pelos paladinos da
legalização das drogas no Brasil. Esse lobby está com uma ação no
Supremo Tribunal Federal (STF) que tenta alterar o art. 28 da lei
11.343, que na prática legalizaria não somente o uso de qualquer droga,
mas também a produção doméstica. O argumento falacioso é que o uso de
drogas é um comportamento que afeta somente o indivíduo e que, portanto,
seria inconstitucional uma lei cerceando esse direito. Uma pesquisa com
familiares de dependentes químicos, feita em parceria com a Federação
Brasileira do Amor Exigente (entidade que organiza mais de 1.000 grupos
por todo o Brasil), mostra que o impacto está longe de ser individual.
Segundo o levantamento, para cada usuário, quatro pessoas são afetadas
pelo problema.
Não existe nenhuma história de sucesso de países
que tenham conseguido diminuir o tráfico por flexibilizar as leis e o
consumo. O uso sempre aumenta e o tráfico não desaparece. Se essa ação
prosperar, e o risco é grande, teremos um aumento ainda maior do consumo
de drogas no país, pois qualquer pessoa poderá plantar maconha em seu
quintal, ampliando a disponibilidade dessa droga. O STF deverá
manifestar-se sobre a nossa constituição, mas na essência deverá
manifestar-se sobre nossos valores e especialmente sobre o nosso futuro
como nação. Não podemos deixar que minorias ativas e politicamente
corretas tomem conta do nosso destino. Precisamos criar um lobby
legítimo de defesa dos valores familiares e sociais. Equívocos têm
consequências e apresentam uma dura fatura humana.
*Jornalista
EXTRAÍDADEPUGGINA.ORG





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