Ruy Castro folha de são paulo
Já não basta o aumento das tarifas. A última conta de luz recebida por
uma amiga trazia a ameaça: "Aviso de corte. Até o dia [espaço em branco]
não constava em nossos registros o pagamento de conta(s) de energia no
total de R$ [espaço em branco], o que implicará no corte de
fornecimento, cobrança de multa e inclusão no Serasa e similares.
Detalhes ao lado".
Mas, no dito ao lado, outro espaço em branco. Só que a conta de minha
amiga está há anos no débito automático e em dia, como ela informou à
empresa. Esta reexaminou seus arquivos e levou horas, mas concluiu que
não constava nenhum débito e mandou desconsiderar o aviso.
Na mesma semana, mãe, filha e genro tiveram seus cartões de crédito
clonados. Com o da filha, foi feita uma despesa de R$ 2.000; com o do
genro, de R$ 13 mil.
Apesar dos valores incompatíveis com o histórico dos cartões, nenhum dos
dois foi bloqueado. Já o da mãe, cuja despesa era de quatro dólares,
foi.
Eu próprio tenho sido vítima desse samba do cibernauta doido. Uma
operadora está me cobrando há meses por duas linhas de telefonia móvel
que não pedi para ter, não tenho, não uso e não pretendo usar. Por causa
disso, recebo telefonemas vociferantes vindos de sujeitos em cidades
como Belo Horizonte e Fortaleza, mas nenhum me assegura que, se eu pagar
as contas fantasmas, conseguirei cancelar essas linhas idem.
E há os Correios, batendo seus próprios recordes de ineficiência.
Encomendas que recebo de ou envio para EUA, México ou Portugal têm
levado até quatro meses para chegar. Junte a isto a falta d'água, os
voos cancelados nos aeroportos, as cidades intransitáveis. Os serviços
no Brasil estão se dissolvendo.
Bem, eles nunca foram grande coisa, mesmo. O problema será se as
instituições --firmes há 30 anos-- também estiverem correndo risco de
dissolução.
extraídadorota2014





0 comments:
Postar um comentário