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21:06
ANDRADEJRJOR
RUY CASTRO FOLHA DE SÃO PAULO

RIO DE JANEIRO - Já não
basta o aumento das tarifas. A última conta de luz recebida por uma
amiga trazia a ameaça: "Aviso de corte. Até o dia [espaço em branco] não
constava em nossos registros o pagamento de conta(s) de energia no
total de R$ [espaço em branco], o que implicará no corte de
fornecimento, cobrança de multa e inclusão no Serasa e similares.
Detalhes ao lado". Mas, no dito ao lado, outro espaço em branco. Só que a
conta de minha amiga está há anos no débito automático e em dia, como
ela informou à empresa. Esta reexaminou seus arquivos e levou horas, mas
concluiu que não constava nenhum débito e mandou desconsiderar o aviso.
Na
mesma semana, mãe, filha e genro tiveram seus cartões de crédito
clonados. Com o da filha, foi feita uma despesa de R$ 2.000; com o do
genro, de R$ 13 mil. Apesar dos valores incompatíveis com o histórico
dos cartões, nenhum dos dois foi bloqueado. Já o da mãe, cuja despesa
era de quatro dólares, foi.
Eu próprio tenho sido vítima desse
samba do cibernauta doido. Uma operadora está me cobrando há meses por
duas linhas de telefonia móvel que não pedi para ter, não tenho, não uso
e não pretendo usar. Por causa disso, recebo telefonemas vociferantes
vindos de sujeitos em cidades como Belo Horizonte e Fortaleza, mas
nenhum me assegura que, se eu pagar as contas fantasmas, conseguirei
cancelar essas linhas idem.
E há os Correios, batendo seus
próprios recordes de ineficiência. Encomendas que recebo de ou envio
para EUA, México ou Portugal têm levado até quatro meses para chegar.
Junte a isto a falta d'água, os voos cancelados nos aeroportos, as
cidades intransitáveis. Os serviços no Brasil estão se dissolvendo.
Bem,
eles nunca foram grande coisa, mesmo. O problema será se as
instituições –firmes há 30 anos– também estiverem correndo risco de
dissolução.
EXTRAÍDADAVARANDABLOGSPOT
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