CEL R1 Gelio Fregapani (EX CMT CIGS / EX ANALISTA ABIN)
Os Cenários que podem acontecer
Qualquer que seja a situação os Estados Maiores de todos os Exércitos
iniciam por levantar os cenários possíveis. Quando há uma força inimiga
em frente, os cenários iniciam pelo que o inimigo pode fazer: atacar,
defender,retrair, reforçar... e os sub cenários – onde ,como, quando,
com que valor, para que...
Os
cenários políticos não seriam obrigações dos Exércitos, mas eles não
tem como deixar de levantá-los, ao menos para saber o que podem esperar.
O resumo de levantamento destas linhas, traçadas sumariamente é apenas
para conhecimento geral do que certamente está sendo estudado no Estado
Maior do Exército, com muito, muito maior profundidade.
Vamos
partir da situação geral: A economia está em dificuldades, o
descontentamento aumenta, o Judiciário perde a pouca confiabilidade que
tinha,o Legislativo se afunda entre mordomias exageradas sem mostrar
serviço algum. A população despertou no horror à corrupção existente com
a fúria até então reprimida e tende a não mais aceitar
contemporizações. Em todas as camadas da sociedade é manifesto o desejo
de mudança. As paixões políticas antes limitadas aos comunistas
fanáticos se acendem também em outros setores. A insegurança pública
atinge a níveis alarmantes e é notória a insensibilidade em todos os
níveis de governo, a iniciar pelos legisladores que tentam acovardar a
população, apesar de ligeira melhoria nos equipamentos bélicos, a
sensação de debilidade militar angustia as Forças Armadas e a todos que
pensam no assunto.
Há
crença geral que alguma mudança seja necessária e esteja para
acontecer. Em cada cenário espera-se uma determinada atitude das Forças
Armadas, as principais guardiãs da nacionalidade.
Cenário nº 1- O Impeachment
Interessados:
O PMDB (presumivelmente o principal beneficiário), a oligarquia
financeira internacional (usando o PSDB) e os comunistas partidários do
quanto pior, melhor.
O
impeachment interessa ao PMDB, mas só depois da metade do mandato para
que o vice presidente assuma legalmente. Do contrário haveria nova
eleição e o provável beneficiário seria o PSDB, considerando que o
Congresso é dominado pelo PMDB, é provável que o citado partido impeça o
impeachment até lá. Entretanto, caso a sucessão de escândalos eleve a
rejeição ao Governo a mais de 85% a pressão popular forçará o Congresso a
levar adiante um processo de impeachment antes do prazo desejado pelo
PMDB.
Em
qualquer desses sub-cenários as Forças Armadas tendem a se manter
apenas observando, apesar dos insistentes pedidos que receberá para
intervir, prosseguirá apagando “incêndios” por ordem do Governo, sem
aceitar, a não ser em casos extremos, o pedido de intervenção feito por
algum dos Poderes, como permite a Constituição. Pode acontecer que,
indignadas por alguma atitude governamental que as humilhe ou que seja
considerada de lesa-pátria as Forças Armadas façam algumas exigências
que, naturalmente, serão atendidas imediatamente não só por serem
necessárias mas principalmente para evitar uma reação maior.
Cenário 2 – A estrutura Governamental conseguir se manter.
Interessados:
O PT e aliados próximos, pessoas em cargos governamentais, os
acomodados que temem mudanças (a grande maioria) e os que desejam evitar
um tipo de mudança que pareça provável.
Com
algumas medidas corretas que corrijam ou atenuem os motivos do
descontentamento popular, com o possível entusiasmo despertado pelas
olimpíadas, com a desmoralização dos demais poderes da República, pela
inépcia dos postulantes ao cargo máximo e quem sabe em função de algum
desafio internacional o Governo, mesmo claudicando pode chegar até o
final, espera-se, sem ceder as pressões estrangeiras, para a
desnacionalização da Petrobrás ou para a secessão de terras indígenas, o
que poderia ser motivo para uma intervenção militar.
Cenário 3 – Convulsão social-popular
Interessados:
Oligarquia internacional, elementos radicais de diversos matizes,
pessoas e grupos indignados, injustiçados ou espoliados e os que
detestam tanto o governo que preferem qualquer coisa a ele.
O
descontentamento geral é um barril de pólvora e uma reação inadequada a
uma passeata ou a uma greve pode servir de espoleta. Neste momento está
em curso uma greve de caminhoneiros com bloqueio de estradas. Claro que
isto prejudica a economia, mas a determinação do uso da força pode
servir de “acionador”, conforme o descontentamento popular. Se esse
movimento for bem resolvido, sabemos que haverão outros e mais fortes.
Na Traição do Lula na Raposa-Serra do Sol o Exército se recusou a
cumprir as ordens e esteve a um passo de se opor em força à imbecil
decisão governamental. Outra traição destas certamente não permitirá.
Entretanto,
só haverá uma intervenção militar autônoma em caso de grave convulsão,
causada por forças antagônicas reativas ou contra alguma medida que
ameace a segurança da Pátria ou ao menos ameace fortemente o interesse
nacional e que a intervenção seja desejada por parte significativa da
população. Fora desses casos, é improvável que as Forças Armadas decidam
consertar a confusão que os civis resolveram fazer, embora as soluções
para todas as mazelas sejam de fácil execução e certamente já estão
estudadas e esquematizadas para implementação em caso de necessidade.
Dois pesos e duas medidas
O
MST, inspirado no movimento comunista internacional, bloqueia estradas e
promove invasões de propriedades privadas – A Força Nacional é enviada
para protegê-los.
Índios,
orientados por ONGs estrangeiras, expulsam os não índios, bloqueiam
estradas, cobram pedágios ilegais, torturam e matam – A Polícia Federal é
acionada para protegê-los.
Se
algum setor produtivo fizer algum movimento reivindicatório, mesmo
dentro da legalidade, todas as forças policiais serão acionadas CONTRA o
movimento.
Quando descumprir ordens)
Talvez
muitos militares ainda pensem que a disciplina é um fim em si mesma,
mas não é. A Disciplina é um excelente meio de conjugar esforços, mas
passa a ser prejudicial quando é usada pelo chefe para tolher as
iniciativas ou quando usada pelos subordinados apenas para evitar responsabilidades, ou seja, para encobrir a covardia.
Consta
da literatura militar que Frederico II da Prússia, recriminando a falta
de iniciativa de certo comandante de batalhão, ao ouvir a justificativa
de que apenas cumpria ordens teria declarado: “O Rei não faria do
senhor um oficial se imaginasse que não saberia quando descumprir
ordens”. Diz-se que existe uma referência a esta frase numa parede da
Academia Militar alemã. Até Clausewitz afirmava que, sob certas
circunstâncias, a consciência de um oficial falava mais alto do que a obediência cega.
Agora
temos um Ministro da Defesa decididamente inadequado, que já demonstrou
sua aversão aos que consideramos heróis e seu apreço aos que combatemos
com armas nas mãos. Não sabemos que tipo de ordens pensa em nos dar.
Sabemos que não podemos ter confiança nele. Supomos que ele, como
sindicalista que é, saberá distinguir o que não pode fazer. Veremos.
Que o Senhor dos Exércitos ilumine as nossas decisões
REPASSADA VIAEMAIL





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