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21:06
ANDRADEJRJOR
ELIANE CANTANHÊDE O Estado de S. Paulo

Quem é mesmo que
anunciou que a Petrobrás está sendo fatiada e vendida? O governo do
PT?!!! Isso só pode ser brincadeira, quem sabe uma "barriga" (informação
errada) da imprensa.
Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff
usaram e abusaram, durante as campanhas de 2006 e de 2010, da versão de
que o PSDB privatizaria a Petrobrás. Até engenheiros da própria
companhia acreditaram, ou quiseram acreditar, na balela.
E quem
não se lembra de Lula metido num macacão cor de abóbora da Petrobrás,
com a mão manchada de petróleo, passando a imagem subliminar de que ele
próprio, qual um deus das profundezas do oceano, havia criado o pré-sal?
Ambos, macacão e presidente, tão fotogênicos, a dias das eleições.
O
mundo realmente dá voltas. Hoje, é a Petrobrás de Dilma, Lula e PT que,
exaurida, machucada e vilipendiada, anuncia a venda de R$ 39 bilhões em
ativos para tentar amortizar uma dívida que vai crescendo e se tornando
impagável.
A venda tem, assim, um viés político e outro
econômico. O político é que, tal como Dilma disse que não mexeria nos
direitos trabalhistas nem que "a vaca 'tussisse'", as campanhas petistas
trataram da privatização da Petrobrás como algo absurdo, nefasto, coisa
do demônio. E tanto a vaca "tussiu" quanto o governo do PT se converteu
à crença do mal.
Ah!, sim, privatização é uma coisa, venda de
ativos é outra. Ou melhor: privatização de adversários é privatização,
mas privatização "cumpanheira" é só "venda de ativos"?
É assim
que o PT, um dos maiores e mais importantes partidos da
redemocratização, vai perdendo o encanto, as bandeiras, os líderes e até
a credibilidade. Se, sistematicamente, diz uma coisa na campanha e faz
outra depois de eleito, resta pouco para acreditar. A magia do
marqueteiro João Santana está se esgotando.
Quanto ao viés
econômico: o sindicalista José Sérgio Gabrielli deixou a Petrobrás com
um buraco imenso e sua sucessora Graça Foster não melhorou muito as
coisas. Assumiu a presidência com uma dívida de R$ 181 bilhões. Foi para
a casa deixando uma de R$ 332 bilhões. A Petrobrás é a empresa mais
endividada do mundo!
Faz todo o sentido - para o mercado, para
quem é do ramo e para quem consegue enxergar além da ideologia - passar
adiante áreas que não são essenciais ao objetivo fim da Petrobrás.
Exemplo: as fábricas de fertilizantes.
Mas a grande dúvida é se
vender R$ 39 bilhões em ativos (o Brasil e no exterior) e cancelar
investimentos de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões neste ano vão resolver o
problema. Façam as contas...
E, espreme daqui, espreme dali, não
sobra muito para sair vendendo. A lista já inclui termelétricas,
gasodutos, refinarias, dutos, rede de postos de gasolina e... campos de
petróleo e gás. Daqui a pouco, vão querer vender o pré-sal e até o
macacão cor de abóbora do Lula.
Por um desses detalhes cruéis da
história, o anúncio da venda de ativos da Petrobrás passou praticamente
em branco no mundo político, distraído com uma lista muito diferente da
lista de ativos à venda na Petrobrás: a lista dos políticos enrolados na
Operação Lava Jato. Mas uma coisa está diretamente vinculada à outra.
A
Petrobrás só chegou no fundo do poço e o PT só teve de engolir a venda
de ativos goela abaixo porque, nos governos Lula e Dilma, o PT se sentiu
dono da maior empresa do País e fez dela gato e sapato. Não apenas
participou dos esquemas de desvios como represou tarifas politicamente e
escamoteou informações devidas à opinião pública. Chegamos aonde
chegamos. Ou melhor, chegaram aonde chegaram.
E, por falar em
lista de políticos enrolados: depois de comer o pão que o diabo amassou
com Eduardo Cunha na Câmara, Dilma vai ter que digerir um Renan
Calheiros cheio de espinhos no Senado, rejeitando a medida provisória
que aumentaria os impostos das empresas e reduziria as dívidas do
governo.
Mas a gente já sabe como é: a culpa não é de Lula, Dilma, Cunha e Renan; é do ministro da Fazenda, Joaquim Levy!
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