Por LÚCIO FLÁVIO PINTO
O PT acusa o PSDB de querer privatizar a Petrobrás. De fato, o
senador tucano José Serra defendeu a tese recentemente. Mas o que o PT
tem feito é destruir a estatal por dentro. Herdou problemas e
irregularidades, como quase todos os governos a partir dos anos 1960.
Mas os multiplicou como ninguém antes, para parafrasear o ex-presidente
Lula.
A dívida da Petrobrás chegou a 332 bilhões de reais, num grau tão
perigoso que a agência de classificação Moody’s a rebaixou para a
apreciação do mercado de ações e investimentos. Só vai continuar a
operar financeiramente com a empresa quem cobrar muito mais do que vinha
fazendo, porque o grau de classificação é agora especulativo.
Segundo a Folha de S. Paulo de hoje, de 19 milhões de reais
por ano para auditar as contas da estatal, a consultora internacional
Pricewaterhouse Coopers vai cobrar agora R$ 47 milhões – o que dá uma
pequena medida da elevação de custos da Petrobrás. A PwC se recusou a
assinar o balanço do quatro trimestre do ano passado porque as
demonstrações não excluíam prejuízo por conta do chamado “petrolão”. O
impasse ainda perdura. Nele, estão em jogo tanto a imagem da petrolífera
quanto a da empresa de auditagem, uma das mais importantes do mundo.
Para enfrentar essa maré ruim a Petrobrás anunciou, ontem, que
pretende vender bens do seu patrimônio para arrecadar até 13,7 bilhões
de dólares (R$ 39 bilhões) com as vendas neste e no próximo ano. Assim
poderá responder a cobranças no valor de US$ 11 bilhões, 25% a mais do
que estava previsto no seu Pano de Negócios 2014-2018.
De roldão, a liquidação vai engolir campos de óleo e gás, refinarias,
dutos, terminais e a rede de postos de combustíveis, além de
empreendimentos de gás e energia. Se conseguir reduzir seu elevadíssimo
endividamento, recompor a sua capacidade de investimento e expurgar o
prejuízo causado pela corrupção desenfreada, que criou a Operação
Lava-Jato, a Petrobrás poderá recuperar a saúde. Mas quando? A que
custo?
Necessariamente, não poderá mais manter o seu perfil atual, minado
pela promiscuidade entre seus dirigentes e executivos e os partidos
políticos no poder. As ideias apresentadas por Serra não são exatamente
de privatização, expressão demoníaca que turva as discussões mais
corajosas e profundas. Mesmo se polêmicas ou equivocadas, elas formam
uma boa agenda para a sociedade usar na discussão sobre a forma de
renascimento que a estatal deverá seguir para se reconciliar com seu
passado glorioso.
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