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06:46
ANDRADEJRJOR
Merval Pereira o globo

Ao
mesmo tempo em que aumentaram seus problemas políticos com a divulgação
do que seria parte da lista do Procurador Rodrigo Janot, paradoxalmente
a presidente Dilma foi blindada pela fragilização do Congresso, com os
presidentes da Câmara e do Senado incluídos entre os investigados na
Operação Lava-Jato.
Se
já era precipitada a defesa do impeachment a esta altura, sem que dados
concretos respaldem a suspeita, quase certeza, da população de que a
presidente Dilma “tinha conhecimento da corrupção na Petrobras” (77% dos
entrevistados); “sabia dos desvios e deixou continuar” (52%); “sabia e
nada pôde fazer” (25%), segundo revelou a recente pesquisa Datafolha,
agora com processo no STF seria politicamente inviável que uma Câmara
presidida por Eduardo Cunha recebesse um pedido de impedimento da
presidente, ou que o Senado presidido por Renan Calheiros desse
prosseguimento ao processo, que seria presidido pelo presidente do
Supremo Tribunal Federal.
Essa
blindagem, que estava sendo comemorada ontem por aliados mais próximos
de Dilma é, no entanto, o que faz com que os dois políticos estejam
convencidos de que esse foi o objetivo da inclusão de seus nomes na
lista. Como é natural no ser humano, especialmente em políticos da
qualidade dos dois, esquecem seus próprios pecados para transferir a
outros a culpa por seus infortúnios.
E,
como continuarão nos seus cargos durante a maior parte da investigação,
e manterão seus mandatos até mesmo depois de eventualmente serem
denunciados, ambos estarão em situação de poder para enfrentar o Palácio
do Planalto e pressionar politicamente a presidente Dilma.
Se
estão convencidos de que foi o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo
quem levou o Procurador-Geral da República a incluí-los na lista, não
acreditam mesmo na independência de Janot, e consideram, portanto, que
pressionando o governo poderão contar com sua interferência no decorrer
das investigações da Polícia Federal.
Tem-se
então o fato de que a vida da presidente Dilma não ficará mais fácil,
ao contrário, com diversos aliados governistas incluídos na lista de
investigação de Janot. As dificuldades políticas somam-se às econômicas,
e o clima de incerteza no Congresso retira qualquer possibilidade de o
governo garantir que as medidas de equilíbrio fiscal serão aprovadas.
O
ambiente político está contaminado por questões pessoais que terminam
sendo fundamentais para tomadas de decisões, muitas vezes certas, mas
por motivos errados. É o caso da devolução da medida provisória sobre a
desoneração da folha de pagamentos, atitude tomada por Renan com uma
razão formal correta e outra, subjacente e negada, mas sabidamente
importante, que foi sua inclusão na lista de investigados.
Cada
atitude sua, mesmo baseada em razões institucionais, guardará a partir
de agora um ranço antigovernista difícil de camuflar. Também Eduardo
Cunha teve aumentada sua dose de oposicionista pragmático com a inclusão
de seu nome na lista de Janot.
A
CPI da Petrobras será um bom palco para exercer sua “independência” do
Planalto do Planalto, a base de sua eleição para a presidência da
Câmara. O PMDB, como co-participe do governo, terá sempre uma atitude
formal de aliado, mas à medida que sua colaboração não é requisitada
pela presidente Dilma, mais distante vai ficando da co-responsabilidade
do governo.
O
vice Michel Temer só é convocado quando o circo está pegando fogo, como
é o caso atual. Só que a esta altura do campeonato, com a presidente
fragilizada pela péssima perspectiva econômica, e com a base aliada em
pé de guerra, será difícil uma aproximação mais efetiva.
Será
o Senado, por exemplo, que aprovará o nome indicado para a vaga do
ministro Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal. Com vários
senadores e deputados na lista de investigados, esse novo ministro, que
participará na segunda turma que vai julgar o petrolão, terá sérias
dificuldades na sabatina.
Razão
primeira para o distanciamento do PMDB do governo, o PT está na
berlinda mais uma vez na investigação do petrolão, e não poderá contar
com a solidariedade do que seria em tese seu maior aliado no Congresso. A
não ser que tudo termine em pizza, dando razão às desconfianças e
certezas de Cunha e Calheiros.
Aí é a democracia que estará sendo afrontada.
extraídaderota2014
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