Cunha ou Lula, não importa: líderes devem ser calmos e sensatos na hora da crise e não dilapidar o Brasil
RUTH DE AQUINO
Foi assim que Eduardo Cunha comemorou sua eleição para a presidência da
Câmara Federal. “Não seremos submissos.” Cunha, o deputado do PMDB
elogiado por sua “habilidade” ao derrotar o governo de Dilma Rousseff,
aplaudido como trunfo da oposição, está a caminho de se inscrever na
História como o mais esfomeado e retrógrado presidente que a Câmara já
teve. O mais descolado da realidade do Brasil.
Excelentíssimo Eduardo Cunha, não seremos submissos diante de seus delírios de mordomias para parlamentares marajás. O Brasil vive, por conta de incompetência, má gestão e corrupção deslavada nos últimos governos, um arrocho geral. E o senhor faz o quê? Ressuscita a concessão de passagens aéreas para maridos e mulheres de deputados, banida desde 2009. O senhor decide construir um complexo de prédios, estacionamento, shopping, para dar “mais conforto” a deputados e seus assessores. O projeto nem está concluído e apenas um prédio ultrapassa R$ 1 bilhão. O senhor não caminha em Brasília e jamais foi à periferia para saber o que é falta de conforto.
O senhor diz que terá a parceria de empresas privadas. Se não houver interesse de empresas particulares, o senhor afirma dispor de “dinheiro público em caixa para tocar boa parte das obras”. São obras necessárias porque a Câmara inchou. Começou com um anexo. Ganhou três anexos em cinco décadas. O salão de beleza foi fechado para abrigar mais um partido. Uma pena, porque o cabelo do atual presidente da Casa merece um tratamento urgente. O “hair stylist” da Câmara deveria aconselhar Cunha a assumir a calvície e fazer uma hidratação, para não precisar passar um fixador gosmento que lembra nosso antigo gumex.
Num cenário de arrocho fiscal, aumento do desemprego e da inflação, paralisação de caminhoneiros, queda da nota da Petrobras e do crédito do país, cortes nos programas sociais, na educação, habitação e saúde, o que faz o presidente da Câmara Federal, recém-empossado? Dá uma de Alice no País das Maravilhas, segue o coelho branco, encontra o gato dos desejos e esquece o outro lado do espelho, o mundo real do povo à míngua sem escolas, casas, esgoto e hospitais.
Os 513 deputados já ganham R$ 33.700 mensais só de remuneração básica. Cada um conta com 25 assessores. Cada gabinete custa aproximadamente R$ 200 mil por mês! E Cunha quer construir quatro prédios novos, um plenário com 675 lugares, um shopping, um estacionamento pago com 4 mil vagas, escritórios, restaurantes, salões de beleza...Agora? Em 2015? Sério? Os nobres cônjuges dos deputados voarão com nosso dinheiro. É a “cota da passagem parlamentar”. É a cota da vergonha.
Cunha aprovou um pacote de benefícios, reajustando as três verbas disponíveis para os deputados: a verba de contratação de assessores, a verba chamada de “cotão” e que inclui telefone, passagem, consultoria, transporte, entre outros (o pior é esse “entre outros”), e o auxílio-moradia para quem não usa apartamento funcional. Caramba. Não seremos submissos. Ninguém aguenta mais ouvir números absurdos enfileirados no Brasil, mas o impacto anual do pacote seria de R$ 150,3 milhões. O que está em jogo são outros valores, invisíveis para quem se sente ungido pelo Poder palaciano – mas não pelo voto popular.
Cunha diz que apenas corrigiu os benefícios porque “tudo na vida tem correção inflacionária”. Não, o senhor está enganado. Primeiro, essa frase é verdade para poucos. Segundo, a hora é de reduzir, cortar. Essa é a mensagem. Para que precisamos de tantos deputados e aspones? Um terço já seria mais que suficiente.
Cunha decidiu criar também várias secretarias – e a de Comunicação ficará a cargo do partido ligado à Igreja Universal. Como se sabe, Cunha não é só evangélico, mas um militante de causas contrárias à modernização dos costumes. Ele tem uma obsessão: reduzir direitos já obtidos por homossexuais, impedir que crianças, mesmo as abandonadas em abrigos, sejam adotadas por casais gays e criar o Dia do Orgulho Heterossexual.
Claro que não se pretende convocar “o exército do Stédile nas ruas”, como recomendou Lula de maneira bélica: “Também sabemos brigar”. Nem se conclama ninguém a “dar porrada nos fascistas”, como aconselhou o presidente do PT no Rio de Janeiro, Washington Quaquaquá. Tem um quá a mais... pelo baixo nível.
O bloco da cidadania deve criticar todos, de qualquer partido, que ajam contra os interesses do Brasil e dilapidem o patrimônio, que tentem manipular o povo e assaltem os cofres públicos. Líderes devem manter a sensatez e a calma, especialmente em momentos de crise. Os olhos esbugalhados de Eduardo Cunha (já notaram nas fotos?) não sugerem uma visão serena de liderança. Liderar quem? Não seremos submissos.
Excelentíssimo Eduardo Cunha, não seremos submissos diante de seus delírios de mordomias para parlamentares marajás. O Brasil vive, por conta de incompetência, má gestão e corrupção deslavada nos últimos governos, um arrocho geral. E o senhor faz o quê? Ressuscita a concessão de passagens aéreas para maridos e mulheres de deputados, banida desde 2009. O senhor decide construir um complexo de prédios, estacionamento, shopping, para dar “mais conforto” a deputados e seus assessores. O projeto nem está concluído e apenas um prédio ultrapassa R$ 1 bilhão. O senhor não caminha em Brasília e jamais foi à periferia para saber o que é falta de conforto.
O senhor diz que terá a parceria de empresas privadas. Se não houver interesse de empresas particulares, o senhor afirma dispor de “dinheiro público em caixa para tocar boa parte das obras”. São obras necessárias porque a Câmara inchou. Começou com um anexo. Ganhou três anexos em cinco décadas. O salão de beleza foi fechado para abrigar mais um partido. Uma pena, porque o cabelo do atual presidente da Casa merece um tratamento urgente. O “hair stylist” da Câmara deveria aconselhar Cunha a assumir a calvície e fazer uma hidratação, para não precisar passar um fixador gosmento que lembra nosso antigo gumex.
Num cenário de arrocho fiscal, aumento do desemprego e da inflação, paralisação de caminhoneiros, queda da nota da Petrobras e do crédito do país, cortes nos programas sociais, na educação, habitação e saúde, o que faz o presidente da Câmara Federal, recém-empossado? Dá uma de Alice no País das Maravilhas, segue o coelho branco, encontra o gato dos desejos e esquece o outro lado do espelho, o mundo real do povo à míngua sem escolas, casas, esgoto e hospitais.
Os 513 deputados já ganham R$ 33.700 mensais só de remuneração básica. Cada um conta com 25 assessores. Cada gabinete custa aproximadamente R$ 200 mil por mês! E Cunha quer construir quatro prédios novos, um plenário com 675 lugares, um shopping, um estacionamento pago com 4 mil vagas, escritórios, restaurantes, salões de beleza...Agora? Em 2015? Sério? Os nobres cônjuges dos deputados voarão com nosso dinheiro. É a “cota da passagem parlamentar”. É a cota da vergonha.
Cunha aprovou um pacote de benefícios, reajustando as três verbas disponíveis para os deputados: a verba de contratação de assessores, a verba chamada de “cotão” e que inclui telefone, passagem, consultoria, transporte, entre outros (o pior é esse “entre outros”), e o auxílio-moradia para quem não usa apartamento funcional. Caramba. Não seremos submissos. Ninguém aguenta mais ouvir números absurdos enfileirados no Brasil, mas o impacto anual do pacote seria de R$ 150,3 milhões. O que está em jogo são outros valores, invisíveis para quem se sente ungido pelo Poder palaciano – mas não pelo voto popular.
Cunha diz que apenas corrigiu os benefícios porque “tudo na vida tem correção inflacionária”. Não, o senhor está enganado. Primeiro, essa frase é verdade para poucos. Segundo, a hora é de reduzir, cortar. Essa é a mensagem. Para que precisamos de tantos deputados e aspones? Um terço já seria mais que suficiente.
Cunha decidiu criar também várias secretarias – e a de Comunicação ficará a cargo do partido ligado à Igreja Universal. Como se sabe, Cunha não é só evangélico, mas um militante de causas contrárias à modernização dos costumes. Ele tem uma obsessão: reduzir direitos já obtidos por homossexuais, impedir que crianças, mesmo as abandonadas em abrigos, sejam adotadas por casais gays e criar o Dia do Orgulho Heterossexual.
Claro que não se pretende convocar “o exército do Stédile nas ruas”, como recomendou Lula de maneira bélica: “Também sabemos brigar”. Nem se conclama ninguém a “dar porrada nos fascistas”, como aconselhou o presidente do PT no Rio de Janeiro, Washington Quaquaquá. Tem um quá a mais... pelo baixo nível.
O bloco da cidadania deve criticar todos, de qualquer partido, que ajam contra os interesses do Brasil e dilapidem o patrimônio, que tentem manipular o povo e assaltem os cofres públicos. Líderes devem manter a sensatez e a calma, especialmente em momentos de crise. Os olhos esbugalhados de Eduardo Cunha (já notaram nas fotos?) não sugerem uma visão serena de liderança. Liderar quem? Não seremos submissos.
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