Carlos Chagas
Não entenderia nada um turista chinês, se tivesse chegado ao Brasil na sexta-feira e retornado hoje de manhã. Deixaria nosso país certo de constituirmos um povo impossível de ser entendido pelos demais habitantes do planeta, uma mistura de concepções conflitantes e divergentes que a toda hora contradizem e embaralham seguidores de tendências iguais, sem a menor possibilidade de compreensão por nós mesmos, quanto mais pelos que vem de fora.
Na sexta-feira, ao desembarcar, nosso visitante foi alertado para evitar as principais ruas e avenidas das capitais, que seriam tomadas por explosivas manifestações dos setores mais radicais da política brasileira. A Central Única dos Trabalhadores, de braços dados com o Movimento dos Sem Terra e similares, protestariam diante das tentativas de desmoralização da presidente Dilma, mas, ao mesmo tempo, criticaram as medidas adotadas pelo governo, com ênfase para a supressão de direitos trabalhistas e o aumento de impostos e tarifas.
Estava previsto que tudo isso aconteceria sob o risco de violentos choques com os acusadores de Madame. Pois o que o chinês viu só não foi um desfile de Congregados Marianos porque as bandeiras eram vermelhas, não azuis. Nenhum entrevero, tudo na mais perfeita ordem, apesar da fundamental contradição entre os manifestantes: eram a favor de Dilma mas contra suas iniciativas para debelar a crise econômica. Sem falar na ausência total do vasto contingente que prega o afastamento da presidente da República. Destes, ninguém apareceu. O tal “exército do Stédile” não precisou ser acionado com seus porretes, tacapes e bordunas.
No domingo, manifestações pacíficas contra o governo e a corrupção, sem a presença de baderneiros, pouquíssimos incidentes.
Perguntaram ao turista amarelo, em seu hotel, se não queria ficar mais uns dias e assistir, em Brasília, uma sessão da CPI da Petrobras. Ele declinou ao ler numa revista semanal a apoteose que foi última reunião, com todos os integrantes da CPI aplaudindo delirantemente um dos acusados de envolvimento no escândalo. Traduzindo: embaralhou geral…
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