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21:20
ANDRADEJRJOR
EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

A frágil democracia
brasileira vive momentos de tensão. Às dores do ajuste fiscal, que já
provocam reações de insatisfação entre os políticos (Orçamento) e
consumidores (inflação), soma-se a crescente indignação com as
revelações do escandaloso esquema de corrupção na Petrobras. Nessas
horas de pressão, em que o governo e seus apoiadores se sentem acuados
pelos fatos que eles mesmos produziram, deve a cidadania ficar atenta e
reagir às demonstrações de truculência e antidemocracia observadas nos
últimos dias.
A temperatura subiu às vésperas de se tornarem
conhecidos os políticos envolvidos no petrolão, o megaesquema de
corrupção na Petrobras investigado pela Operação Lava-Jato da Polícia
Federal. O nome deles deve ser levado na próxima semana ao supremo
tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Rodrigo
Janot.
Enquanto isso, os brasileiros acompanham com perplexidade
manifestações de destempero e comportamentos questionáveis de
autoridades do governo, de seu principal partido e até de seu maior
líder. Não bastasse a preocupante demonstração de inércia da presidente
Dilma Rousseff ante o gravíssimo rebaixamento da Petrobras à condição de
pagadora sob suspeição por importante agência internacional de risco de
crédito, com efeitos negativos no mercado financeiro, a recepção não
divulgada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, de advogados
de empresários presos pela Operação Lava-Jato disseminou a suspeita de
que o governo estaria empenhado em encontrar meios de livrar as
empreiteiras acusadas.
Cardozo voltou às manchetes na
sexta-feira. Tão mal como tratou a bem-sucedida manifestação de
caminhoneiros contra os preços dos combustíveis e o aumento dos
pedágios, o ministro foi ao procurador-geral comunicar que a
inteligência do Estado descobriu que Janot corria risco de sofrer
atentado. O ministro não fez declarações públicas, mas a ampla
divulgação do encontro soou como algo a intimidar eventual pedido de
autorização ao STF para abertura de inquérito contra parlamentares por
Janot.
Mas isso não é tudo. Claramente preocupado com o andamento
das investigações da Lava-Jato, o ex-presidente Lula mergulhou de
cabeça no esforço marqueteiro de promover manifestações em "defesa" da
Petrobras, na tentativa de empurrar para a opinião pública a miragem de
que tudo não passa de trama para desvalorizar a estatal e facilitar sua
privatização.
Foi num dos eventos dessa campanha, na Associação
Brasileira de Imprensa, no Rio, que a presença de Lula atraiu opositores
dispostos a vaiá-lo. Do lado de fora, a mídia registrou cenas que
fizeram lembrar a pobre Venezuela de Nicolás Maduro, com enfrentamentos
físicos patrocinados pela direção do PT fluminense. Eram militantes que
seguiam a preocupante orientação do ex-presidente. Lula incitou os
militantes a responder às agressões com atos de força e ameaçou os
opositores com a convocação do que chamou de "exército do Stedile",
líder do movimento em favor da reforma agrária.
Não é disso que o
Brasil precisa. Pelo contrário. É nos momentos difíceis que as nações
democráticas têm de contar com líderes à altura do povo. Eles transmitem
a serenidade que impede que o aquecimento dos ânimos leve as coisas na
direção oposta à do entendimento. Mais do que nunca, Lula deveria
conhecer a máxima popular: apelou, perdeu.
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