EMANUEL CANCELLA -
O artigo analisa o
discurso de posse da presidenta Dilma Rousseff e projeta os desafios da
luta geopolítica pelo petróleo.
Muito animador o discurso de Dilma na
posse: “Vou defender a Petrobrás de predadores internos e de inimigos
externos”. Está claro que existe uma trama internacional para
desestabilizar os países produtores de petróleo e favorecer os grandes
consumidores, principalmente Europa e EUA. O grande articulador dessa
tramóia são os EUA e o alvo dessa trama é principalmente a Rússia, o
Irã, Venezuela e o Brasil. O presidente da Rússia, Vladmir Putin, ainda
não reagiu, mas em seu discurso de final de ano alertou a todos: “ O
ocidente quer transformar o “urso russo” em um troféu de caça”.
Conseguirá?
Aqui no Brasil é sabido que a grande
mídia brasileira é entreguista é trabalha permanentemente contra o
interesse nacional, com total subserviência ao grande capital,
defendendo descaradamente os interesses dos EUA. Por isso, a importância
e urgência de uma lei que regule os meios de comunicação. O papel das
emissoras de televisão privadas se torna mais vergonhoso ainda quando
constatamos que se tratam de concessões públicas.
Os inimigos externos são nossos velhos
conhecidos. Eles foram desmascarados pela campanha “O petróleo é nosso!”
na década de 40-50. São as multinacionais de petróleo e o grande
capital que não aceitam que a riqueza do petróleo esteja a serviço do
nosso povo. Mas dentro do país, os inimigos não são poucos, como o PSDB
que já tentou privatizar nosso petróleo e ainda insiste. Parte da elite
brasileira também nunca admitiu o sucesso da Petrobrás e sempre foi a
favor da entrega de nosso petróleo. Essa turma quer que o Brasil
continue a ser quintal dos EUA. Mas como predador interno, temos que
denunciar principalmente a presidente da Petrobrás, Maria das Graças
Foster. O marido de Foster tem 43 contratos com a Petrobrás, sendo 20
sem licitação. A gerente Venina foi destituída do cargo por, entre
outros desvios de conduta, seu marido ter um contrato com a Petrobrás. O
marido de Foster tem 43. E Dilma disse ainda em seu discurso: "Não
podemos permitir que a Petrobrás seja alvo de um cerco especulativo dos
interesses contrariados com a adoção do regime de partilha e da política
de conteúdo local”. A presidente Dilma precisa saber o que Maria das
Graças Foster pensa sobre o conteúdo local, como relata a matéria
“Petrobrás diz que conteúdo local não é prioridade, diante da falta de
fôlego na indústria”, publicada em O Globo de 17/03/14: “Não é possível
fazer tudo (no Brasil). Mais do que isso, a Petrobras não pode esperar”.
Na década de 80, o governo brasileiro
nacionalizou 90% dos equipamentos da área de petróleo financiando a
indústria brasileira através do BNDES. Depois FHC, em 1999, criou uma
lei que destruiu esse setor conhecida como o Repetro. Segundo essa
legislação, as empresas estrangeiras ficavam isentas de qualquer imposto
na importação desses equipamentos, trazendo tudo de fora. Urge
revigorarmos a indústria nacional! Dilma tem razão em parte, enquanto
não retomamos o monopólio estatal do petróleo, preferimos a lei do
regime de partilha de Lula que é muito mais vantajoso do que a Concessão
de FHC. Queremos também o conteúdo local para privilegiar a indústria
nacional e gerar emprego e renda para os brasileiros.
Para barrar os inimigos externos é preciso acabar com os predadores internos, principalmente com a raposa!
* Emanuel Cancella é diretor do Sindipetro-RJ.
fonte tribunadaimprensa





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