Jornalista Andrade Junior

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

GRAÇA NA PETROBRAS É COMO RAPOSA TOMANDO CONTA DO GALINHEIRO

EMANUEL CANCELLA -
O artigo analisa o discurso de posse da presidenta Dilma Rousseff e projeta os desafios da luta geopolítica pelo petróleo. 

Muito animador o discurso de Dilma na posse: “Vou defender a Petrobrás de predadores internos e de inimigos externos”. Está claro que existe uma trama internacional para desestabilizar os países produtores de petróleo e favorecer os grandes consumidores, principalmente Europa e EUA. O grande articulador dessa tramóia são os EUA e o alvo dessa trama é principalmente a Rússia, o Irã, Venezuela e o Brasil. O presidente da Rússia, Vladmir Putin, ainda não reagiu, mas em seu discurso de final de ano alertou a todos: “ O ocidente quer transformar o “urso russo” em um troféu de caça”. Conseguirá?
Aqui no Brasil é sabido que a grande mídia brasileira é entreguista é trabalha permanentemente contra o interesse nacional, com total subserviência ao grande capital, defendendo descaradamente os interesses dos EUA. Por isso, a importância e urgência de uma lei que regule os meios de comunicação. O papel das emissoras de televisão privadas se torna mais vergonhoso ainda quando constatamos que se tratam de concessões públicas.
Os inimigos externos são nossos velhos conhecidos. Eles foram desmascarados pela campanha “O petróleo é nosso!” na década de 40-50. São as multinacionais de petróleo e o grande capital que não aceitam que a riqueza do petróleo esteja a serviço do nosso povo. Mas dentro do país, os inimigos não são poucos, como o PSDB que já tentou privatizar nosso petróleo e ainda insiste. Parte da elite brasileira também nunca admitiu o sucesso da Petrobrás e sempre foi a favor da entrega de nosso petróleo. Essa turma quer que o Brasil continue a ser quintal dos EUA. Mas como predador interno, temos que denunciar principalmente a presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster. O marido de Foster tem 43 contratos com a Petrobrás, sendo 20 sem licitação. A gerente Venina foi destituída do cargo por, entre outros desvios de conduta, seu marido ter um contrato com a Petrobrás. O marido de Foster tem 43. E Dilma disse ainda em seu discurso: "Não podemos permitir que a Petrobrás seja alvo de um cerco especulativo dos interesses contrariados com a adoção do regime de partilha e da política de conteúdo local”. A presidente Dilma precisa saber o que Maria das Graças Foster pensa sobre o conteúdo local, como relata a matéria “Petrobrás diz que conteúdo local não é prioridade, diante da falta de fôlego na indústria”, publicada em O Globo de 17/03/14: “Não é possível fazer tudo (no Brasil). Mais do que isso, a Petrobras não pode esperar”.
Na década de 80, o governo brasileiro nacionalizou 90% dos equipamentos da área de petróleo financiando a indústria brasileira através do BNDES. Depois FHC, em 1999, criou uma lei que destruiu esse setor conhecida como o Repetro. Segundo essa legislação, as empresas estrangeiras ficavam isentas de qualquer imposto na importação desses equipamentos, trazendo tudo de fora. Urge revigorarmos a indústria nacional! Dilma tem razão em parte, enquanto não retomamos o monopólio estatal do petróleo, preferimos a lei do regime de partilha de Lula que é muito mais vantajoso do que a Concessão de FHC. Queremos também o conteúdo local para privilegiar a indústria nacional e gerar emprego e renda para os brasileiros.
Para barrar os inimigos externos é preciso acabar com os predadores internos, principalmente com a raposa! 
* Emanuel Cancella é diretor do Sindipetro-RJ.
fonte tribunadaimprensa

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