VOTO AÉCIO NEVES 45
Luiz Argôlo seguiu da Bahia para o Rio de Janeiro com despesas aéreas e diárias em hotel 5 estrelas custeadas pela estatal
Acusado pela Polícia Federal de ter aberto portas para o doleiro Alberto
Youssef na Petrobrás, o deputado Luiz Argôlo (SD-BA) tinha uma rede de
contatos dentro da petroleira. Documentos aos quais o Estado teve
acesso mostram que ele foi escolhido pela estatal para uma viagem VIP
no fim de abril do ano passado ao Rio de Janeiro, onde teria acesso a
áreas como o Centro de Pesquisas da Petrobrás (Cenpes) mesmo sem ter
atuação naquele momento em comissões relacionadas aos interesses da
empresa.
Quatro executivos da empresa foram destacados para acompanhar a
excursão. Diz o convite que “os empregados da Petrobrás, Paulo Brahim
Adba, coordenador da visita; José Eduardo Sobral Barrocas, gerente do
Escritório de Brasília do Gabinete da Presidente; Carlos Henrique Lopes
Sampaio, Gerente de Relacionamento com o Poder Legislativo; e Fernando
Xavier, Coordenador de Relacionamento junto aos Órgãos de Controle,
acompanharão os convidados.” Barrocas é um dos homens mais próximos da
presidente da Petrobrás, Graça Foster. Ele foi afastado da chefia do
gabinete da empresa em Brasília após se envolver na combinação de
perguntas na CPI da Petrobrás. Hoje está lotado no gabinete de Graça no
Rio.
A viagem foi custeada pela empresa desde as passagens aéreas até a
hospedagem. “O regime de diárias adotado pela Petrobrás será de diárias
completas, com refeições e bebidas não alcoólicas servidas durante as
mesmas”, diz o convite.
A hospedagem foi no hotel Windsor Atlântica, um cinco estrelas em Copacabana com diária média de R$ 700,00.
A partir da relação com Carlos Henrique, o deputado também conseguiu da
Petrobrás patrocínios para festas em seus redutos eleitorais na Bahia. A
empresa liberou para Transbaião - um trem que percorre 13 municípios do
Estado durante as festas juninas - cerca de R$ 300 mil a pedido do
deputado. O evento é patrocinado por uma entidade filantrópica ligada ao
parlamentar e com atuação pouco conhecida no Estado.
Além do centro de pesquisa, o deputado também foi convidado a conhecer o
Centro Integrado de Processamento de Dados, a Refinaria Duque de Caxias
e também ao Centro Nacional de Controle da Transpetro. A Transpetro é
presidida por Sérgio Machado, acusado pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo
Roberto Costa, em depoimento no inquérito da Operação Lava Jato, de lhe
repassar R$ 500 mil supostamente provenientes de propina. Paulo Roberto
é acusado pela PF de operar esquema de desvio de dinheiro na empresa ao
lado do doleiro Youssef.
As investigações da Lava Jato mostram que no período em que foi
convidado a “conhecer” a Petrobrás, o deputado já mantinha relação de
negócios com o doleiro Alberto Youssef. Os dois se falaram 1.411 vezes
em 2013 e Youssef teria repassado cerca de R$ 1 milhão do esquema para o
parlamentar no período. A relação com o doleiro rendeu ao deputado
processo de quebra por decoro parlamentar na Câmara.
Procurada, a Petrobrás não respondeu aos questionamentos do Estado. O deputado também não ligou de volta.
FONTE ROTA2014





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