voto AÉCIO NEVES 45
Com Blog Rodrigo Constantino - Veja
O ex-presidente Lula, provando que sempre é possível descer mais mesmo
quando se está lá embaixo, acusou o candidato Aécio Neves de “filhinho
de papai” em um comício em Minas Gerais, ao lado do governador eleito
Fernando Pimentel.
Mas cabe perguntar: quem é o verdadeiro “filhinho de papai”? Aquele que
governou o estado de Minas por dois mandatos e saiu com aprovação de
90%, e depois se tornou senador, ou um monitor de zoológico que ficou
milionário da noite para o dia graças à influência do “papi poderoso”?
Resgato o caso da Gamecorp diretamente de meu livro Privatize Já, pois recordar é viver:
Adam
Smith tinha percebido isso, quando escreveu: “As pessoas do mesmo ramo
raramente se reúnem, mesmo para o lazer e a confraternização, sem que a
conversa acabe numa conspiração contra o público ou em alguma manobra
para aumentar os preços”. O perigo quando o capitalismo se transforma em
capitalismo de compadres, protegidos pelo estado, não pode ser
desprezado.
Um
caso escandaloso ilustra bem isso. Fábio Luís Lula da Silva, mais
conhecido como Lulinha, é formado em biologia e recebia um parco salário
até 2002. Menos de um ano após da posse de seu pai na Presidência da
República, ele se tornou sócio de uma empresa especializada em jogos. Os
filhos do político Jacó Bittar, um dos fundadores do PT, também
participavam do negócio.
Em
janeiro de 2005, a Telemar (Oi) fez um aporte de mais de R$ 5 milhões
na empresa, já denominada Gamecorp. A operação que marcou a sociedade
entre elas foi extremamente complexa. Em 2006, a Telemar injetou outros
R$ 10 milhões na Gamecorp, como antecipação de compra de comerciais na
TV, pois a empresa tinha um contrato de aluguel com a Rede Bandeirantes
para programação diária na grade da emissora.
A
suspeita era que a Telemar estaria ajudando o filho do então presidente
Lula na esperança de ser atendida em sua demanda pela compra da
concorrente Brasil Telecom. Para que esta transação pudesse ir adiante,
seria preciso alterar a Lei Geral das Telecomunicações, que impedia tal
fusão. Lulinha seria, portanto, um lobista.
Curiosamente,
no final de 2008 a lei foi efetivamente mudada por decreto
presidencial, e a Telemar finalmente conseguiu se unir à Brasil Telecom,
recriando uma gigante de telecomunicações. Vale frisar que autoridades
do governo e do PT sempre demonstraram interesse nessa união, que
resgataria boa parte da antiga Telebrás, sob controle nacional e próximo
do governo.
Quando
o governo detém poder demais, parece natural que grandes empresas
circulem como moscas diante do mel, fazendo de tudo para capturar os
favores dos governantes. Os laços criados pelas medidas arbitrárias e
protecionistas costumam se transformar rapidamente em “veículos de
favoritismo, conluio e proteção não justificada”, como lembra Lazzarini.
Portanto, deixo a pergunta ao leitor: quem é o verdadeiro “filhinho de papai” nessa história?
FONTE ROTA2014





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