Jornalista Andrade Junior

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O nome do jogo sujo

ELES ESTÃO FAZENDO O DIABO PARA GANHAR AS ELEIÇÕES, PRECISAMOS TRABALHAR E CONQUISTAR VOTOS, VOTE AÉCIO 45


VLADY OLIVER
É uma bobagem acreditar que campanhas políticas milionárias não tenham diversos termômetros em seus comitês para averiguar a tal “temperatura” da patuleia. Qualitativas, trackings, análise de tendências e recall de iniciativas e outros tantos sistemas de ajustes do discurso em andamento. Se o debate deste domingo nem de longe lembrou aquele anterior, que resultou no nocaute da candidata do governo, fica a impressão que ambas as equipes deduziram que partir para a baixaria pura e simples afugenta o eleitor mais do que acrescenta alguma coisa em sua decisão de voto. Vou continuar a afirmar que é uma questão de consistência. Neste caso específico, parece que a candidata Dilma perdeu o campeonato de baixarias protagonizado anteriormente, acabando por celebrar o armistício neste e tentando modular o discurso em torno de propostas e não tanto de agressões gratuitas.
Talvez também ela tenha sido traída pelas decisões prévias entre os organizadores da contenda do SBT e achou que a entrevista posterior seria gravada, o que resultou no vexame ao vivo e em cores protagonizado pelos seus neurônios desligados logo após a discussão acalorada. O fato é que o vitimismo agora tomou conta da tal “mídia”, que é uma senha para um ajuntamento de companheiros que cacarejam em bloco uma determinada opinião sobre algum assunto de interesse da camorra que nos governa. Do bêbado dono da desequilibrada até os cineastas que nunca filmaram, muitos aviõezinhos da quadrilha jazem desolados no meio-fio da decência como os gogórios da vida para afirmar que foi o candidato oposicionista e não a jamanta estacionada no Planalto quem deu o primeiro pontapé nos ovos de nossa democracia.
Parece combinado e é. Não vou me espantar se o Goebbels em compota queria este confronto para usar as imagens – do mesmo modo que foi usado no caso de Geraldo Alckmin contra Lula – para desqualificar o candidato Aécio Neves com denúncias do prontuário de um Netinho de Paula. Trocaram os prontuários, com certeza. Eles querem atrair o candidato para o confronto para depois saírem exigindo aos berros o pênalti que não houve lá no meio de campo. Nesse caminho, o jornal cheio de moscas presta um serviço inestimável para a hipocrisia reinante, divulgando uma tal “doutora em linguiça” – Claudia das quantas, o sobrenome da baranga não me interessa – ao cacarejar em dueto com o bêbado do discurso atarantado de BH que o candidato oposicionista tem cacoetes de linguagem e postura que seriam – na visão dela – irritantes aos olhos do eleitor, além de ter usado no debate “palavras agressivas e ironias para ofender um mulher”.
ACUMA? Obviamente, essa dona fulana só enxerga o lado da disputa que lhe interessa, não é mesmo? Nada a dizer sobre os neurônios em convulsão da governanta? Nada a dizer sobre o apagão moral em que chafurda o seu discurso, onde tudo está bom e tudo está maravilhoso? Acho que ESTE debate específico não foi bom para o candidato, exatamente pelo recuo de ambos. Concordo que aquela baixaria assustou muita gente, mas o resultado foi didático. Certos assuntos continuam tabu na campanha e parece que continuarão a sê-lo, por mais que seja necessário esmiuçá-los para fazer o eleitor entender em que terreno está pisando. Basta ver que a única vez que o candidato provocou aplausos entusiasmados da plateia foi quando mencionou os governos companheiros da baranga chefe que nos desgoverna.
O medo de sermos uma Argentina ou uma Venezuela é perigo real e imediato, mas a agenda multissocialista dos contendores parece fingir que estamos num capitalismo democrático e a caminho dos indicadores sociais de um Alemanha. Nada mais frustrante. Aécio terá meu voto no domingo – e desta vez o de minha família toda. Conquistou esses votos desviando de todas essas armadilhas, na medida do possível. Já encarnou a mudança. Quero ver a cara dessa “doutora em linguiça” apontando cacoetes só de um lado da tela. Com o alvo trajando a faixa presidencial, de preferência. Idiota se escreve com quantos is mesmo? Tem flexão de gênero para fonoaudiólogas?

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