MUDA BRASIL, VOTE AÉCIO NEVES 45
PT subestima inteligência do eleitor
Em entrevista à Folha nesta
segunda (13), o governador da Bahia, Jaques Wagner, disse que o tema da
corrupção "é rejeitado" pela população e que ninguém ganha eleição
dizendo "sou honesto", "até porque ninguém acredita".
A frase de Wagner banaliza a corrupção, como se fosse algo cultural do
Brasil, contra o qual não deveríamos nos revoltar. É uma forma de
pasteurizar todos os políticos, de dizer que os sucessivos casos de
corrupção que marcaram (e marcam) os governos do PT são nada mais do que
manifestação natural do nosso país.
Já a presidente-candidata Dilma Roussef vai num caminho tortuoso
diferente do de Wagner. Afirma Dilma que os escândalos vieram à tona nos
últimos anos porque nas gestões do PT os órgãos de fiscalização,
investigação e controle têm liberdade e são incentivados a cumprir o seu
papel. Tal afirmação talvez se encaixe no governo Lula, mas certamente
não na administração Dilma Rousseff.
No governo Lula, a Polícia Federal recebeu investimentos e cresceu. Em
seu governo, a Corregedoria-Geral da União foi rebatizada de
Controladoria Geral da União e aprimorada ao longo de seus dois
mandatos. No governo de Dilma, os dois órgãos têm sofrido cortes
drásticos. Com o menor orçamento dos últimos quatro anos, a CGU diminuiu
bastante as ações de combate ao desvio de recursos públicos, sobretudo
no interior do país.
Os delegados da PF também têm sido alvo de cerceamento. No ano passado,
por decisão do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), um novo
procedimento passou a ser exigido dos delegados. Desde então eles são
obrigados a informar a seus superiores se suas operações envolvem
"pessoas politicamente expostas". A quem interessa saber se políticos
estão sendo investigados e com que finalidade?
No governo Lula, não havia essa regra.
O governo de Dilma fez de tudo para sepultar duas Comissões
Parlamentares de Inquérito, a do bicheiro Carlinhos Cachoeira e a que
atualmente apura os desvios na Petrobras.
As centenas de milhares de pessoas que foram às ruas no ano passado
provam que Wagner está errado. O principal motivo da indignação dos
manifestantes eram justamente a corrupção e seus subprodutos. Hospitais
impróprios, estradas esburacadas, transporte público ineficiente (ou
inexistente, em muitos casos), falta de segurança pública, ensino de
baixa qualidade etc. são consequência direta da corrupção, do dinheiro
público que é criminosamente desviado de sua finalidade.
Dizer que a corrupção é um tema "rejeitado" pela população é subestimar demais o cidadão, o eleitor.
FONTE ROTA2014





0 comments:
Postar um comentário