por Vinícius Mora Folha de São Paulo
Um bordão do Palácio do Planalto destina-se a convencer o público de que
o apuro na economia é uma fase transitória até a reentrada no paraíso
do consumo. Estes seriam tempos de "travessia".
Dentre os vários elementos ruins e simultâneos incidentes numa crise
total como a que vivemos, a reincidência dos governantes na difusão de
pistas falsas talvez seja o pior. O conto da travessia é uma farsa.
A economia brasileira entrou num campo de jogo diferente do que
prevaleceu na primeira década deste século. Acabou a voracidade pelos
produtos do campo, do poço e da mina que favorecera um avanço gigantesco
da renda brasileira.
O fato incontornável, senhores governantes, é que as regras do novo
campeonato serão duradouras. Prevalecerão ao longo das próximas décadas,
com a normalização do ritmo e das características do crescimento da
China, de um lado, e com a recuperação dos Estados Unidos, revigorados e
mais produtivos, do outro.
Abre-se uma era de valorização dos produtos manufaturados e serviços
especializados, bem como do poder de capacitação e adaptação da força de
trabalho. Estar integrado aos fluxos mais quentes do comércio global
contará pontos valiosos.
Neste ano de 2015 a Índia ultrapassará o Brasil e se tornará a sétima
maior economia do planeta. Até mesmo aquele epítome do
terceiro-mundismo, terra de Nehru e da utopia agrária e comunitária de
Gandhi, reforma-se e abre-se para o mundo.
Quanto tempo levará, e quanta destruição inútil de valor e de futuro
essa demora acarretará, até a elite política e empresarial brasileira
entender que nós não voltaremos a nos banquetear graciosamente?
As ambições de alcançar níveis europeus de bem-estar foram adiadas. Ou
melhor, foram sincronizadas com o seu pressuposto lógico, que é o de
atingir os padrões europeus de produtividade. É preciso arregaçar as
mangas e trabalhar.
extraídaderota2014blogspot





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