Nelson Motta O GLOBO
As ‘pedaladas’ econômicas do governo não são como as de Robinho, são chutões para frente que resultam em gols contra
Craque das metáforas futebolísticas, uma das marcas de seu estilo de rei
dos palanques, Lula não deve ter notado que agora foi o Brasil que se
tornou uma grande metáfora do nosso atual futebol. Basta assistir a
Juventus x Real Madrid e depois Barcelona x Bayern e, em seguida, ver as
finais dos campeonatos estaduais brasileiros.
Parece outra modalidade esportiva, que se assemelha ao futebol, mas é
muito mais lenta, mais violenta e desleal, praticada por jogadores de
técnica precária e má educação, que ameaçam e gritam com os árbitros que
não marcam as faltas que eles fingem sofrer, dão chutões para frente e
chuveirinhos sobre a área, porque o “jogo aéreo” e as “bolas paradas”
são as suas raras esperanças de gol.
É compreensível que os ricos clubes europeus, chineses e árabes levem
nossos melhores jogadores, mas como times da Ucrânia, do Cazaquistão, de
Portugal, conseguem comprar jogadores brasileiros que os clubes locais
não podem bancar? Como os jogos da liga de futebol dos Estados Unidos
têm o dobro da média de público do Campeonato Brasileiro?
Com raríssimas exceções, nossos clubes, se fossem empresas, estariam
falidos. Só a CBF e as federações estaduais, que elegem a diretoria da
CBF, ganham sempre. Os clubes vivem num limbo fiscal, nem são empresas e
nem entidades sem fins lucrativos, mas depois das lambanças sempre
apelam aos cofres do Estado.
O país das maravilhas da propaganda oficial está sendo desconstruído
pela dura realidade, com a economia em recessão, juros e preços
disparando, governo desmoralizado e sem apoio político, sofrendo as
consequências da união nefasta da roubalheira com a megalomania e a
incompetência. Uma metáfora dos jogos que se veem em estádios vazios e
das entidades que mandam no futebol brasileiro.
Só que as “pedaladas” econômicas do governo não são como as de Robinho, são chutões para frente que resultam em gols contra.
O mais triste é que tanto o Brasil como o seu futebol teriam todas as
condições naturais para estar entre os melhores do mundo — tanto como
lugar para se viver como para ver futebol. Os 7 a 1 são uma metáfora do
Brasil de hoje.
EXTRAÍDADOBLOGROTA2014





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