skip to main |
skip to sidebar
09:04
ANDRADEJRJOR
ELIANE CANTANHÊDE O ESTADÃO

A aprovação da primeira
fase do ajuste fiscal foi uma vitória do governo e dá um certo alívio
para Dilma Rousseff, mas ainda falta passar pelo Senado e não se pode
esquecer que esse ajuste é parte do desmanche de todo o primeiro mandato
da presidente. Basta repassar as prioridades entre 2011 e 2014 para
confirmar que não sobrou pedra sobre pedra.
Uma por uma, Dilma
vem abandonando aquelas ideias que tirava da própria cabeça – não raro
passando por cima da área técnica e da perplexidade do mercado – e
anunciava com pompa e circunstância. Com o abandono e o desmanche, viram
sucatas.
Nem o modelo de exploração do pré-sal resiste à
realidade, apesar de Dilma ter feito carreira na área de energia e de
ter ocupado, inclusive, o Ministério de Minas e Energia. Depois de tanta
badalação, tanta aula com PowerPoint, tanta picardia contra o modelo
tucano, o governo volta atrás, falando em deixar o sistema de partilha
de lado para recuperar o de concessões, acabando com a obrigatoriedade
de a combalida Petrobrás participar de todos os blocos.
Até o
Pronatec, um dos carros-chefe dos debates, dos programas de TV e do dia a
dia da campanha da reeleição, está devagar. Com a crise na economia,
dissimulada no limite da irresponsabilidade, Dilma só conseguiu pagar os
subsídios das entidades privadas até outubro, mês da eleição. Depois
disso, atrasos, confusão, incerteza.
Outro que embalava o
marketing dilmista era o Fies. Sem desprezar os objetivos corretos e as
boas intenções, também encheu as burras de universidades de desempenho
sofrível e brindou estudantes pobres com diplomas capazes de embelezar
paredes, mas de serventia duvidosa para lhes garantir empregos em suas
áreas. Em 2014, havia 4,4 milhões de bolsistas, com financiamento de R$
13,4 bilhões para escolas privadas – boas ou arapucas. Sem dinheiro,
muitos dos bolsistas e das escolas estão a ver navios.
E o
financiamento da casa própria? É bem verdade que Dilma ainda viaja pelo
País – quando não corre o risco de panelaços –, entregando milhares de
unidades do Minha Casa Minha Vida, como fará na próxima terça-feira, no
Rio. Mas, com o pior resultado da caderneta de poupança em 20 anos (20
anos!), lá se foi o crédito para moradia. A Caixa Econômica Federal
limitou o financiamento de imóveis usados à metade do valor total e
acaba de anunciar aumento dos juros da compra de casas.
Dilma
estufou o peito num pronunciamento em cadeia de rádio e televisão porque
tinha decidido na marra a redução da conta de luz para residências e
empresas. Patrões, empregados e eleitores em geral bem sabem o que
aconteceu depois da eleição. Ou melhor: o que vem acontecendo todo mês,
quando a conta bate à porta e arromba o bolso.
Num outro
pronunciamento oficial, a presidente se vangloriou da redução dos juros
como nunca antes neste país e ainda estendeu um dedo ameaçador para os
bancos privados, ordenando que eles fizessem o mesmo. E, afinal, onde
foram parar os juros?
A venda de carros caiu 25,2%, no pior abril
em oito anos. Mais de 250 lojas foram fechadas. Mais de 12 mil
trabalhadores do setor foram para o olho da rua. E a indústria em geral?
A produção industrial caiu 5,9% no primeiro trimestre de 2015. É mole?
O
desastre afeta outro indicador importante, que ajudou muito o trabalho
dos marqueteiros e foi importante para segurar o discurso e os votos da
reeleição: o emprego. No entanto, segundo os dados oficiais, o
desemprego já subiu para 7,9% no primeiro trimestre. Sabe-se lá onde
isso vai parar.
Então, é ótimo que o ajuste fiscal comece a ser
aprovado no Congresso e que novas perspectivas se abram para o País, mas
não se pode esquecer que isso tudo é parte do desmanche que derrubou a
popularidade de Dilma de quase 80% no início de 2013 para 13% em 2015. E
agora, com o desmanche do primeiro mandato, a grande pergunta é: para
construir o que no lugar?
EXTRAÍDADEAVARANDABLOGSPOT
0 comments:
Postar um comentário