skip to main |
skip to sidebar
11:38
ANDRADEJRJOR
RUI CASTRO Folha de SP

Ao assistir a filmes
americanos envolvendo jornalistas, você notará a diferença. Quando surge
na tela uma entrevista coletiva, cada repórter dispara uma única
pergunta, curta e objetiva, que obriga o entrevistado a fazer "gulp"
antes de responder. Agora compare isto com as coletivas dos nossos
repórteres de TV.
Quase todos começam por uma pergunta tão longa
quanto desnecessariamente explicativa. Não satisfeitos, engatam um "...e
também", e emendam uma segunda pergunta, tão longa e explicativa
quanto. Ao fim desta, o telespectador já não se lembra do que ele
perguntou primeiro. Mas o entrevistado se lembra muito bem e só responde
àquela que lhe for mais confortável ou conveniente. Vê-se isso ao fim
de todos os jogos de futebol, nas coletivas dos treinadores. Tem-se
visto isso nas coletivas dos ministros do governo, políticos e
autoridades em geral.
Você dirá que, no cinema, a dinâmica do
roteiro faz com que os jornalistas tenham de parecer objetivos --não há
tempo nem espaço para conversa fiada em cena. E eu responderei que esta é
uma cláusula pétrea entre os repórteres americanos. "Perguntas curtas,
frases curtas, palavras curtas e uma pergunta de cada vez", aprendi em
Nova York com Alain De Lyrot, antigo editor do "Herald Tribune". "Se o
entrevistado não responder a contento, você repica a pergunta."
Nossos
repórteres não se contentam com uma pergunta simples e direta.
Sentem-se na obrigação de enriquecê-la, desdobrá-la e acrescentar
elementos. Com isso, só a tornam confusa, e o entrevistado responde o
que quiser.
Eu sugeriria que, antes da coletiva, nossos
repórteres se entendessem. Todos teriam direito a duas perguntas. Mas
uma de cada vez. E com uma condição: além de curtas e objetivas, elas
sempre deveriam terminar por um ponto de interrogação.
AVARANDABLOGSPOT
0 comments:
Postar um comentário