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11:39
ANDRADEJRJOR
MARTHA MEDEIROS ZERO HORA

A corrupção dentro da
Petrobras é só a ponta do iceberg – ou alguém acredita que em outras
empresas, sejam estatais ou privadas, não acontece o mesmo?
A corrupção no Brasil é um câncer que infelizmente não é terminal, porque não termina.
Porém,
o foco hoje está na Petrobras, está no governo em vigência, está no
momento presente, e isso divide o país. Se a corrupção estivesse sendo
combatida como um mal comum a todos os partidos e a todos os segmentos
da sociedade, talvez resgatássemos a humildade e nos mobilizássemos em
busca de uma cura coletiva, mas virou uma guerra partidária. E aí sobra
ofensa para tudo que é lado.
O toma lá dá cá de acusações reflete
a infantilidade da nossa “consciência política”. Não queremos um país
melhor, queremos ter razão. Analisar o problema de forma mais ampla? Não
combina com nosso sangue quente. Decretar como inimigo a nossa própria
índole está fora de cogitação.
Alguém devolve ao dono um dinheiro
que encontrou na rua e vira matéria de jornal. Prova da deformação dos
nossos valores. O que era pra ser trivial, aqui é raridade. Deixar o
carro numa rua escura e retornar encontrando-o no mesmo lugar? Ir até um
posto de saúde e ser atendido na hora? Ser educado por um professor bem
pago? Tudo um “case”. O normal é o errado.
Diante de tanto
errado para pouco certo, a gente não se une. A gente se desune, brigando
uns contra os outros, ofendendo, ridicularizando, humilhando, baixando o
nível da convivência. A democracia estimula a divergência de opiniões,
sustenta o diálogo entre posições conflitantes a fim de encontrar um
senso comum ou, na impossibilidade deste, um senso que represente a
maioria, mas temos nos valido da democracia para xingar, insultar. É o
Estado democrático autorizando nossa falta de educação.
Ok, às
vezes, para defender nossas ideias, acabamos denegrindo quem pensa
diferente. Acontece. Porém, tenhamos mais cautela e controle: a ofensa é
o recurso de quem não tem nada a oferecer além de agressividade.
Troquemos
a ofensa por argumentos. Coloquemos nossas divergências para dialogar. O
que vem acontecendo é espetacular, máscaras caindo, mas entendamos que o
Brasil precisa deixar o sentimentalismo de lado e agir de forma
conjunta e adulta. O mais importante é garantir à nova geração que a
impunidade acabou – os políticos e empresários de amanhã têm que começar
a ter medo de roubar. Somado a isso, é urgente aprovar medidas
concretas para moralizar tudo o que envolva dinheiro. Reduzir ao máximo o
“me ajuda que eu te ajudo”.
Manifestações, críticas, desabafos,
discordâncias, postagens indignadas ou bem-humoradas fazem parte do
processo de reflexão e colaboram na mudança de mentalidade. Mas não
esqueçamos que a guerra é contra a corrupção – que é apartidária.
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