Com Blog Rodrigo Constantino - Veja
Se um jornalista obtém, após a devida apuração, uma informação
relevante, deve ele simplesmente ignorá-la por estar o país em época
eleitoral? Claro que não! Se assim o fizesse não seria bom jornalista. E
a decisão de não revelar a informação para não prejudicar determinado
candidato, por óbvio, implica na escolha de prejudicar outro candidato,
no caso seu oponente. Logo, guardar para si a importante descoberta
também seria uma escolha política e contra os princípios do bom
jornalismo.
Qualquer pessoa minimamente inteligente entende isso. Mas o calor
eleitoral impede que a inteligência seja preservada muitas vezes.
Especialmente por parte de esquerdistas, cuja inteligência, quando
presente, não costuma combinar com a honestidade intelectual. Vale tudo
para vencer, inclusive sacrificar a verdade. Assim tem sido o histórico
da esquerda.
Fiz essa introdução para chegar no caso da polêmica capa da revista Veja
nas vésperas das últimas eleições. Nela estava estampada uma foto de
Lula e Dilma com os dizeres: “Eles sabiam de tudo”. Acima ficava claro
que se tratava de uma acusação ou confissão feita pelo doleiro Alberto
Youssef, em sua delação premiada a qual Veja tomou conhecimento. Se um
doleiro envolvido no esquema, em processo de delação no qual precisa
apresentar evidências, diz que a presidente da República sabia, como um
veículo sério de imprensa poderia sonegar tal revelação bombástica dos
seus leitores?
A informação era quente, foi devidamente apurada, mas outros veículos se
sentiram intimidados e preferiram não dar o mesmo destaque.
Repercutiram somente no dia seguinte a notícia, e basicamente porque não
poderiam ignorar a reação de seguidores do PT: eles depredaram a sede
da revista! E isso virou
uma notícia que não poderia mais ser ignorada, levando os jornais
televisivos a comentar o que causara tal ato de vandalismo.
Nas redes sociais, uma legião de bajuladores do PT aplaudiu o ato quase
terrorista contra a Abril, ou no mínimo fez um conivente silêncio. Era a
esquerda sendo a esquerda, adotando a máxima de que os fins “nobres”
justificam quaisquer meios, usando um padrão seletivo de julgamento
moral. É o que fazem desde sempre, como nas invasões do MST, por
exemplo, que podem até destruir pesquisas científicas importantes que
continuam blindadas de críticas, pois vêm de um “movimento social”
ligado ao PT.
Pois bem: a acusação foi geral do lado esquerdo, de que a Veja era
“golpista”. Atacaram o mensageiro, e ignoraram a mensagem. Sobre
Youssef, o doleiro do esquema de corrupção na Petrobras, afirmar que
Lula e Dilma sabiam de tudo, nem uma palavra! Mas a Veja se tornava o
alvo, como sempre. Revista tucana, partidária, golpista, mentirosa. Só
há um porém: ela estava cumprindo seu papel jornalístico, que a torna a
mais respeitada e vendida revista do Brasil, há décadas (inclusive
quando o governo era dos tucanos, algo que os petistas hoje esquecem).
Veja divulgou uma nota agora que as transcrições da denúncia de Youssef vieram à público, comprovando que ela estava certa. Seguem alguns trechos:
A
mais extraordinária característica dos fatos é que eles são teimosos.
Os fatos não desaparecem facilmente. A realidade é feita de fatos e, à
semelhança da verdade, cedo ou tarde ela se impõe.
[...]
Internamente,
na apresentação da reportagem de capa, VEJA escreveu: “Cedo ou tarde os
depoimentos de Youssef virão a público em seu trajeto na Justiça rumo
ao Supremo Tribunal Federal (STF)”. Nesta sexta, os depoimentos
efetivamente vieram a público e quando se examina seu conteúdo no que
diz respeito às afirmações de VEJA na capa Lula e Dilma Sabiam a
constatação insofismável é a de que VEJA apurou e publicou um fato
real: Yousseff disse à Justiça, no âmbito de sua delação premiada, que o
Palácio do Planalto sabia das tenebrosas transações que ocorriam na
Petrobras.
VEJA
cumpriu com seu dever jornalístico ao trazer esse fato ao conhecimento
de seus leitores. Portanto, quem se insurgiu contra a revista naquele
episódio, se insurgiu, realmente, contra os fatos. Atacou o mensageiro,
quando o que feria era a mensagem.
Agora,
com a quebra de sigilo sobre os depoimentos da Lava Jato, veio a
confirmação de que VEJA estava certa e seus contestadores errados. A
eles, quem sabe, seja útil a leitura de João 8:23: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.
De fato, a verdade é libertadora. Mas certas pessoas fogem dela como o
diabo foge da cruz. Sofrem de dissonância cognitiva, e a verdade dói
demais da conta, torna-se insuportável, pois vai contra sua ideologia,
suas crenças enraizadas e obtidas não por reflexões isentas, mas por
paixão cega. Os escravos da mentira não toleram a verdade, pois ela
poderia demolir todo o seu castelo de areia, montado sobre pilares
frágeis, de papelão.
Falo daqueles que, apesar de tudo que já sabemos, repetem por aí com ar
de “intelectual” que o PT se preocupa com os mais pobres, e que as
“elites” não suportam isso, que a Veja faz parte dessa “elite golpista”.
Alienação à enésima potência, criando uma casca impermeável aos fatos.
Veja precisa ser odiada por essa gente, pois Veja trabalha com os fatos,
e esses negam seus slogans. Diante de um fato incômodo, eles preferem
repetir, feito autômatos: “tinha que ser na Veja!”
Pois é: tinha mesmo que ser na Veja, uma revista corajosa que não teme
expor fatos incômodos para o governo poderoso. É o que diferencia o bom
jornalismo da adesão chapa-branca dos vendidos ou covardes. É o que me
enche de orgulho de fazer parte desse time, mantendo meu blog na
Veja.com. Algumas pessoas valorizam a verdade; outras, necessitam da
mentira. Para estes, há os blogs financiados pelo governo, pois encarar
os fatos seria tarefa insuportável demais para essas pobres almas
pusilânimes…
EXTRAÍDADOROTA2014





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