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21:53
ANDRADEJRJOR
MERVAL PEREIRA O GLOBO

O PP foi praticamente
dizimado nessa primeira etapa das investigações do petrolão, com 18 dos
40 deputados da bancada federal na lista de Janot, e mais dez
ex-deputados, inclusive ex-ministros, dois senadores e um
vice-governador, que, aliás, se destacou entre os citados pela maneira
grosseira com que comentou sua inclusão na lista.
É provável que o
mesmo aconteça com PT e PMDB quando vierem à tona as acusações e
delações premiadas referentes aos ex-diretores Nestor Cerveró, indicado
pelo PMDB, e Renato Duque, o homem do PT no petrolão. Os respingos da
corrupção do PP atingiram fortemente o PT e o PMDB, e por tabela alguns
outros partidos, inclusive o PSDB, imaginem quando a investigação for
direta nos dois maiores partidos da coligação governamental.
Mesmo
que Duque, como bom petista, não tenha aberto a boca e negue qualquer
delito, seu subordinado Pedro Barusco já se comprometeu a devolver US$
100 milhões de dinheiro desviado e descreveu, com planilhas e todos os
detalhes possíveis, como era feito o repasse de dinheiro, calculando que
ao longo dos anos, de 2004 a 2014, o tesoureiro do PT João Vaccari
recebeu de US$ 150 milhões a US$ 200 milhões em propina para distribuir
ao partido.
Novas listas surgirão, e o que está em xeque não é o
financiamento privado das campanhas eleitorais, mas o sistema de
coalizão partidária que está montado sob as bases do tempo de televisão e
das coligações proporcionais. A compra de apoio político, já
demonstrada no processo criminal do mensalão, está sendo confirmada em
escala muito maior no petrolão, e a depuração de nosso sistema político
eleitoral é a tarefa mais urgente neste momento.
Não é possível
termos 40 partidos políticos com direito a tempo de propaganda no rádio e
televisão, nem é aceitável a criação de partidos para desvirtuar o voto
dado nas urnas em interesses próprios de ocasião. Não é possível mais
dividir o tempo de propaganda eleitoral no rádio e televisão pelas
coligações montadas a toque de caixa, não na origem militar do termo,
mas de caixa registradora mesmo, sem o menor contato programático entre
si, mas apenas interesses pontuais que geram os petrolões e mensalões de
nossa vida política.
Proibido o financiamento privado, todo esse
dinheiro que roda por baixo dos panos continuará sua busca de
receptadores dispostos a fazer negócios. O que precisa haver é uma
rigorosa regulamentação das doações eleitorais, limitando as de pessoas
físicas e jurídicas, e especialmente proibindo empresas que tenham
negócios com governos, em todos os níveis, de serem doadores como
pessoas jurídicas.
Com a redução de partidos com direito a
atuação no Congresso, a campanha eleitoral já será mais barata
naturalmente, e será bem-vinda a proibição dessas mágicas dos
marqueteiros que encarecem a eleição, além de serem responsáveis por
tornar quase verdadeiros os estelionatos eleitorais que os políticos
costumam vender como realidade.
A instituição do sistema de
recall, onde o eleitorado pode destituir seu representante que não
cumpre o prometido, seria uma ótima decisão para uma reforma eleitoral
que objetivasse uma reorganização séria de nosso sistema político,
fragilizado pelos últimos acontecimentos.
A denúncia do
procurador-geral Rodrigo Janot, a exemplo do mensalão, acusou a
existência de uma "complexa organização criminosa", o que afasta o
perigo de se colocar toda a culpa do acontecido nas empreiteiras, como
se para existir corruptores não fosse necessário existir o corrompido.
Ninguém
é corrompido por pressão irresistível, como também não há cartel que se
forme a pedido de políticos sedentos por dinheiro. Os esquemas que
estão sendo desmontados mostram que se juntaram a fome e a vontade de
comer para saquear os cofres públicos, num projeto criminoso onde todos
ganhariam, e somente a sociedade brasileira sairia perdendo.
EXTRAÍDADEVARANDABLOGSPOT
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