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05:42
ANDRADEJRJOR
EDITORIAL O ESTADÃO

A CPI da Petrobrás
recém-instalada na Câmara dos Deputados é uma excelente oportunidade
para os representantes do povo se redimirem do vexaminoso desempenho das
duas comissões de inquérito formadas no ano passado com o mesmo
objetivo e que terminaram em pizza. Diante de uma opinião pública
escandalizada com a corrupção na maior estatal brasileira - desvio que
presumivelmente se estende a outras unidades do aparelho estatal - e
descrente da capacidade e do interesse de certos setores do poder
público de reprimir a bandidagem e punir os culpados, uma terceira CPI
da Petrobrás que mostre serviço pode ser um primeiro passo importante
deste renovado Congresso Nacional para a recuperação de uma imagem
desgastada e da credibilidade perdida perante a sociedade brasileira.
A
nova CPI, instalada no dia 25 de fevereiro, vai atuar num cenário
político completamente distinto daquele que, no fim da Legislatura
passada, permitiu que as duas comissões anteriores, atadas aos
interesses políticos de um governo petista recentemente consagrado nas
urnas e desinteressado de levar a fundo a apuração do escândalo na
petroleira, transformassem o trabalho de investigação numa encenação que
nem se deu ao trabalho de disfarçar seu caráter farsesco.
Hoje o
cenário é muito diferente. Sem a marquetagem populista e apelativa que
garantira sua suada vitória nas urnas, bastou Dilma Rousseff tomar posse
do segundo mandato e colocar em perspectiva os quatro anos pela frente -
a partir do devastador desempenho político, administrativo e moral do
que realizou nos quatro anos anteriores - para que a Nação despertasse
de uma profunda letargia. O prestígio e a credibilidade da chefe do
governo despencaram a níveis até então inimagináveis, contando para isso
também com a decisiva cooperação de sua inata incompetência política e
com a desmedida ambição de hegemonia perpétua do PT.
A presidente
Dilma Rousseff começou a afundar seu governo numa séria crise política a
partir do instante em que, em vez de acatar a astúcia e a experiência
de Lula - que a inventou politicamente e com quem costumava se
aconselhar em momentos difíceis -, cometeu a insensatez de tentar
reduzir o poder e a influência política de seu principal aliado, o PMDB.
Se até o fim do ano passado o Planalto podia contar com a docilidade
quase servil de um Congresso cujas Casas eram presididas pelo mesmo
PMDB, agora ali enfrenta o poder incontrastável desse partido que não se
cansa de marcar posição de independência, impondo-lhe a humilhação de
derrotas sucessivas.
Assim, se meses atrás a atuação de uma CPI
que deveria investigar a corrupção na Petrobrás dependia em grande
medida do interesse político do Planalto, agora depende mais de um
"aliado" que, em dois meses, lhe causou mais dissabores do que toda a
oposição em quatro anos.
É claro que os líderes peemedebistas
atribuem o novo comportamento do partido à disposição de cumprir os
princípios constitucionais de independência e autonomia dos poderes da
República. E o desempenho da nova CPI da Petrobrás, traduzindo aquela
independência e tendo grande visibilidade, será decisivo para a
reconstrução da imagem da política e dos políticos. Para o bem ou para o
mal.
Pois as regras vigentes do jogo político abrem grande
espaço para a atuação de doadores ou financiadores de campanhas
eleitorais. E entre esses os campeões são, exatamente, as empreiteiras
de obras públicas.
Em sua primeira reunião de trabalho, na
quinta-feira passada, de 340 requerimentos apresentados a CPI aprovou
109, que envolvem, entre outras questões, a convocação de ex-presidentes
e de ex-diretores da Petrobrás, doleiros e pessoas investigadas como
operadoras do esquema de propina. Nenhum político. Nenhum empreiteiro.
É
claro que os trabalhos da CPI estão apenas começando. Mas seria muito
ruim para a imagem do Congresso se a opinião pública viesse a ter a
impressão de que o espírito corporativo dos nobres deputados os estaria
levando a proteger a si próprios e a seus potenciais financiadores.
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