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07:49
ANDRADEJRJOR
por Igor Gielow FOLHA DE SÃO PAULO

Se a narrativa da crise do segundo mandato de Dilma Rousseff carecia do
elemento "rua", a lacuna foi preenchida neste domingo (15).
Governo e oposição terão de quebrar a cabeça para dar agora resposta mais efetiva ao fenômeno.
A dimensão dos protestos superou as expectativas do Planalto, e sua natureza enseja um problema de outra espécie para a presidente.
Os atos do 15 de março tiveram características bem diversas daqueles de
junho de 2013 –que explodiram após uma demanda objetiva, sobre passagem
de ônibus, virar uma pauta difusa "contra tudo e todos". Acabaram
esvaziadas pela espiral de violência de suas franjas radicalizadas, como
os black blocs.
Já o que parece ter começado com o panelaço do domingo retrasado (8) tem foco: o governo Dilma.
A oposição formal não é necessariamente favorecida pela situação. Talvez
por medo de atrair fogo para si, e calculando que o governo é quem mais
tem a perder agora, seus líderes deram um apoio distante aos atos.
Se quiserem surfar uma eventual onda, os opositores terão de achar um discurso.
A falta de elementos desestabilizadores viabiliza uma agenda de
protestos. As pessoas foram às ruas sem medo e, salvo relatos em
contrário, não são militantes pagos ou arregimentados por entidades
governistas como ocorreu nos atos da sexta (13).
O que se viu neste domingo foi diverso do estereótipo pintado pelos
governistas nas redes sociais –de que os manifestantes são simpatizantes
da intervenção militar e/ou ricos insatisfeitos com o que chamam de
"conquistas dos pobres" sob o PT.
Havia gente mais rica e ocupante do espectro político à direita do
centro, mas não só. E a caricatura, como manifestantes pedindo a volta
da ditadura, era minoritária. Eles serviram bem ao propósito de ilustrar
posts de Facebook de petistas, mas só.
O Planalto já esperava uma concentração maior em São Paulo. Mas
ministros falavam em talvez 100 mil pessoas como algo estrondoso; foram
mais, e números expressivos notados Brasil afora.
Sobra agora para o governo buscar alguma estratégia além da que foi
anunciada pelos abatidos ministros ao fim da jornada de domingo, que
requenta o discurso de 2013 e 2014 com antigas defesas de reforma
política e pacotes contra a corrupção.
Também não parece muito funcional a linha adotada por Miguel Rossetto
(Secretaria-Geral), de dar mais ênfase para o ato chapa-branca de sexta e
de ver fantasmas golpistas nas ruas do dia 15.
O espaço de manobra, contudo, é limitado. Não há dinheiro para bondades,
como o aumento do mínimo usado por Lula na crise do mensalão, e o
cenário político sugere mais instabilidade.
EXTRAÍDADOBLOGROTA2014
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