Mistério envolve crianças do Araguaia
"Legistas acharam duas ossadas em operação controversa
O Globo –
BRASÍLIA
— Os restos mortais de 25 possíveis desaparecidos políticos que estão
em análise por peritos da União guardam um mistério: duas ossadas são de
crianças, uma com idade entre 3 e 4 anos e outra entre 6 e 7 anos. O
primeiro relatório dos peritos criminais e de médicos legistas que
integram o Grupo de Trabalho Araguaia (GTA), que busca localização e
identificação daqueles militantes, pediu autorização para devolvê-los ao
cemitério de Xambioá (TO), um dos principais palcos da guerrilha. Elas
não estão “incluídas nos perfis dos desaparecidos do Araguaia”. Os
peritos sugerem que os dois sejam “devolvidos para a origem”.(...)
Observação do site www.averdadesufocada.com :
Apesar deste assunto já ter sido noticiado em
alguns jornais com explicações para a presença das ossadas, aliás,
explicações bastante contrangedoras , alguns jornalistas continuam publicando o assunto sem as devidas explicações.
Provavelmente, essas ossadas, serão devolvidas aos seus túmulos, sigilosamente, ao contrário de como agem, quando identificam os restos mortais de um guerrilheiro e os enterram com pompa e estardalhaço. Os malfeitos, como estes - uma tentativa de aumentarem mais a lista de mortos, o que fazem com frequência, quando são descobertos, não são noticiados com o mesmo destaque.
Provavelmente, essas ossadas, serão devolvidas aos seus túmulos, sigilosamente, ao contrário de como agem, quando identificam os restos mortais de um guerrilheiro e os enterram com pompa e estardalhaço. Os malfeitos, como estes - uma tentativa de aumentarem mais a lista de mortos, o que fazem com frequência, quando são descobertos, não são noticiados com o mesmo destaque.
"(...)Segundo o 1º
Relatório do Comitê Gestor de Perícias do GTA, do final do ano passado,
essas duas ossadas teriam sido recolhidas naquele cemitério nos dias 20 e
22 de outubro de 2001, numa expedição organizada pela Comissão de
Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, com a presença de de
familiares de ex-perseguidos e equipe de técnicos e peritos. Ambas estão
guardadas no Hospital Universitário de Brasília, da UnB.
Mas
outro mistério cerca esses restos mortais: eles não teriam sido
colhidos na expedição apontada pelo documento. Representante dos
familiares no GTA e na Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos,
Diva Santana, que acompanhou aquela missão e é assídua participante das
buscas no Araguaia, assegura que essas duas ossadas não foram retiradas
naqueles dias. As reportagens da cobertura daqueles dias da expedição —
incluídas as de O GLOBO — não registraram esses achados, mas a
localização e retirada de três ossadas de adultos.
Aquelas
escavações colheram os restos de um homem com os punhos amarrados para
trás e sem as mãos. Teria entre 24 a 32 anos. Cogitou-se até que poderia
ser o corpo do militante Paulo Roberto Marques, que usava o codinome
Amauri. Ossadas de homem e uma mulher também foram encontradas. Ele
vestia uma ceroula, e ela tinha características orientais. Foi enterrada
em pé. Na época, parentes de desaparecidos apontaram semelhanças com
Walquíria Afonso Costa, militante mineira do PCdoB.
Diva Santana afirmou que foi pega de surpresa com a presença de ossadas de crianças no relatório.
—
As informações do relatório não condizem com a realidade. Não ocorreram
exumações de crianças. Mesmo não sendo técnica ou perita, sabemos
identificar. Mas tinham lá os profissionais. Trabalhamos juntos com os
legistas e peritos, nos reuníamos todas as noites para fazer balanço.
Não sei o que pensar — disse Diva Santana, que procurou todos os
familiares que participaram daquela viagem e tenta localizar os peritos
da expedição.
Em Brasília, essas
ossadas fizeram um périplo por quatro lugares. Primeiro, foram
armazenadas no Instituto de Medicina Legal (IML); depois, foram parar
nos escaninhos da Comissão de Direitos Humanos da Câmara; o terceiro
paradeiro foi a Comissão de Mortos e Desaparecidos, da Secretaria de
Direitos Humanos; e, por último, o hospital da UnB, onde estão até hoje.
O
comitê de peritos subsidia o GTA com informações e levantamento de
dados. Além das 25 ossadas, foram colhidos cinco outros materiais, que
são fragmentos ósseos, cápsulas, dentes, frascos e rótulos."





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