Dirceu comanda a festa mensaleira Palanque distrital para José Dirceu
Por Ana Maria Campos e Paulo de Tarso Lyra - Correio Braziliense -
Condenado a 10 anos de prisão pelo STF, o petista é tratado como mártir em ato organizado pelo PT na Câmara Legislativa.
Mesmo
condenado a 10 anos e 10 meses de prisão por formação de quadrilha e
corrupção ativa, José Dirceu foi tratado ontem como mártir entre
petistas no auditório da Câmara Legislativa. Um seminário em defesa do
“Legado Lula” se transformou em um ato de desagravo ao ex-ministro-chefe
da Casa Civil.
Embora parte do PT tente virar a página do
mensalão, Dirceu foi a estrela da homenagem. Ele tratou de vincular seu
infortúnio pessoal no Supremo Tribunal Federal (STF) a uma defesa dos
oito anos de governo Lula e, ainda, ao sucesso da gestão da presidente
Dilma Rousseff. Em 25 minutos de discurso, citou várias realizações
petistas na última década e convocou a militância para sair em sua
defesa.
Organizado pelo PT do DF, o
seminário foi um ato político que Dirceu deve reproduzir em vários
estados, preparando a legenda para a campanha eleitoral de 2014. Os
correligionários fizeram fila para tirar uma foto ao lado do homem que é
considerado pela cúpula da Justiça brasileira o chefe de uma
organização criminosa formada para comprar apoio político no Congresso.
Os alvos dos petistas eram a chamada “imprensa golpista e conservadora”,
o Judiciário e o Ministério Público. Para Dirceu, tudo não passa de uma
tentativa de atingir o partido e a gestão petista.
“Não
há como separar o apoio à história do presidente Lula, o apoio ao
governo Dilma e a Justiça que precisa ser feita na Ação Penal 470”,
disse Dirceu.
Dois petistas ligados ao czar
petista se encarregaram da organização: o líder do PT na Câmara
Legislativa, Chico Vigilante, da corrente Articulação; e o deputado
Roberto Policarpo, presidente regional da legenda, que integra o CNB
(Construindo um Novo Brasil). No clima de ataques ao julgamento do
mensalão, Pedro Paulo Henrichs Neto, da Juventude Petista, entregou a
Dirceu uma representação que disse ter encaminhado à Organização dos
Estados Americanos (OEA) em Washington com pedido de revisão das
condenações. “Trata-se de uma manifestação espontânea da militância”,
disse Dirceu. Henrichs foi um dos organizadores do jantar em uma
galeteria do Lago Norte para arrecadar dinheiro e pagar as multas
aplicadas pelos ministros do STF aos mensaleiros. Outro integrante da
Juventude Petista, Márcio Siddarta foi um crítico ácido do Judiciário.
“Está em jogo muito mais do que um simples moralismo falso”, disse.
Dirceu
foi recebido com um grito de guerra já carcterístico: “Dirceu,
guerreiro do povo brasileiro”. Estava acompanhado do filho, o deputado
federal Zeca Dirceu (PT-PR), e de aliados como o ex-deputado Paulo Rocha
(PT-PA), absolvido da acusação de lavagem de dinheiro e provável
candidato ao governo do Pará; além do embaixador da Venezuela no Brasil,
Maximilien Sánchez Arveláiz.
A pajelança aos
mensaleiros continua hoje. Dirceu, ao lado dos deputados José Genoino
(PT-SP), João Paulo Cunha (PT-SP) e do ex-tesoureiro do partido, Delúbio
Soares, serão homenageados na festa de 78 anos do ex-deputado federal
Ricardo Zarattini (PT-SP), marcada para a Casa de Portugal, em São
Paulo. O evento serviria, inicialmente, para comemorar, além dos 78 anos
de Zarattini, os 60 anos de militância política do ex-parlamentar
petista.
Preso durante a ditadura militar,
Zarattini – pai do atual deputado Carlos Zarattini (PT-SP), coordenador
da campanha de Marta Suplicy à prefeitura em 2008 – decidiu estender à
sua homenagem ao amigo condenado pelo STF. Durante o governo militar,
Zarattini pai foi preso por ter liderado movimentos trabalhistas na Zona
da Mata canavieira, em Pernambuco. No mesmo período, Dirceu, condenado
pelo STF por ser o chefe do mensalão, era preso em Ibiúna durante a
realização do Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Em
1969, um grupo revolucionário sequestrou o embaixador norte-americano
Charles Burke Elbrick. Em troca da liberdade do diplomata, foi
apresentada uma lista de 15 presos políticos que os militantes de
esquerda desejavam ver fora das grades. Dentre eles, encontravam-se
Dirceu e Zarattini, que voaram juntos para Cuba, sendo recebidos por
Fidel Castro.
“Não há como separar o apoio à
história do presidente Lula, o apoio ao governo Dilma e a justiça que
precisa ser feita na Ação Penal 470”
José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil
José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil





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