MIRANDA SÁ
“Vem
do avesso do avesso/ Desse canto sonoro/ Posto pra fora sem dó”
(“Avesso do Avesso” com Jane Duboc – Composição de Irinéia Maria E Raul
Mir)
A
palavra avesso é curiosamente adjetivo e substantivo; dicionarizada
como adjetivo significa contrário, oposto: “ser avesso à mudança”; como
substantivo, o lado oposto ao principal: “o avesso do casaco”. Em
política, é o oposto ao lado direito: o avesso da verdade.
A
História que escrevemos registra para a posteridade o grande exemplo de
oposição ao lado certo, o lulopetismo, arrastando-se na estreiteza de
ideias superadas, sendo contrário ao avanço econômico e social do
Brasil.
Não
é preciso ir muito longe no tempo para demonstrarmos como age o partido
e seus puxadinhos cultuadores de Lula, autodenominados “de esquerda”,
mas na realidade apresentam-se no campo político como a vanguarda da
retaguarda.
Lembremos
que Lula e seus asseclas foram contra a eleição de Tancredo Neves, em
1985 na transição para a redemocratização do País. Assumiu ferozmente
essa posição que expulsou os deputados de sua bancada que votaram nele.
Na
Assembleia Nacional Constituinte, sob a liderança de Lula, votou contra
a Carta Magna de 88 que Ulisses Guimarães batizou de “Constituição
Cidadã”. Com habitual cinismo, passados 25 anos da promulgação da Carta,
festejou-a, distorcendo a sua atuação anterior.
Morto
Tancredo, assumiu a presidência José Sarney, contra quem os apaniguados
do retrocesso pediram o impedimento, e concluído o governo de transição
foi eleito Fernando Collor, que sofreu o impeachment e foi sucedido por
Itamar Franco.
Os
lulopetistas opuseram-se a Itamar e, por incrível que pareça, se
posicionaram contra o Plano Real, que Lula chamou de ‘estelionato
eleitoral’.
Elegendo-se
Fernando Henrique Cardoso o PT e seus tentáculos combateram
violentamente a Lei da Responsabilidade Fiscal, que obriga os
governantes limitarem seus gastos à arrecadação. Talvez prognosticando o
que faria a sua presidente Dilma Rousseff, atentando contra ela e
sofrendo impeachment por isso…
Ainda
no Governo FHC votaram contra a criação dos programas sociais, Bolsa
Escola, Vale Alimentação, Vale Gás e outras bolsas, que foram chamadas
de ‘esmolas eleitoreiras’.
Mais
tarde, unificaram esses benefícios sociais como Bolsa Família, usando-o
como propaganda eleitoral e, à maneira do coronelato, transformaram
seus usufrutuários como cabos eleitorais e massa de manobra.
Não
é preciso mencionar que tudo o que os lulopetistas quiseram (e
felizmente, como minoria não conseguiram) foram avanços no mapa
socioeconômico do Brasil. Lula cresceu no seu primeiro mandato às custas
do que os outros promoveram, entretanto vendeu através de uma
propaganda à la Goeblles serem os criadores da estabilidade econômica e
dos programas sociais.
Os
lulopetistas se beneficiaram de todas iniciativas anteriores sem fazer
uma autocrítica dos equívocos, como não assumem a roubalheira
desenfreada dos seus governos e hierarcas do partido. Sempre no avesso
da História, o lulopetismo postou-se agora contra a aprovação da
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece um teto para o
aumento dos gastos públicos, saída para tirar o Pais da crise herdada do
defenestrado governo Dilma.
Mobilizando
nas ruas seus paus mandados, e na Câmara, convocada para apreciar a
PEC, fizeram de tudo para impedir o apoio dos parlamentares que
terminaram aprovando-a por uma maioria acachapante.
Com
o seu romantismo, Gustave Flaubert nos deixou seu pensamento de que “A
recordação é a esperança do avesso. Olha-se para o fundo do poço como se
olhou para o alto da torre”. Uma transferência metafórica coloca os
defensores do atraso olhando sempre para o fundo do poço utópico sem ver
no alto a torre do futuro…
EXTRAÍDADETRIBUNADAIMPRENSA





0 comments:
Postar um comentário