por Percival Puggina.
A CNBB, há vários meses, se empenha em uma campanha para coletar 1,5
milhão de adesões ao seu Projeto de Reforma Política Democrática e
Eleições Limpas". Não está fácil. Datas de lançamento e datas de
encerramento são definidas, aparentemente sem sucesso. Ou com sucesso?
Não tenho como saber. O número de adesões à campanha é um segredo sob
sete chaves.
Já escrevi vários artigos a respeito. O assunto me
interessa tanto para fins de análise política quanto na condição de
católico. Vejo a CNBB reproduzindo, nessa campanha, condutas que, na
política, devem ser apontadas como reprováveis. Por exemplo: quantos dos
senhores bispos ou padres que mobilizam suas dioceses e paróquias nessa
coleta são capazes de fazer uma exposição de 15 minutos que seja, não
sobre reforma política, mas sobre o conteúdo do projeto que a CNBB está
apresentando?
Pois é... Agora imagine o que estão fazendo com os
paroquianos. Suponhamos que consigam, entre os católicos, mobilizar 1,5
milhão de pessoas. Quantos, desse paroquianos, conhecem o que assinaram?
A quantos foi informado que esse é o projeto que interessa ao PT?
Quantos sabem que num país onde uma eleição parlamentar custa um absurdo
o projeto está determinando que os mandatos sejam objeto de duas
eleições sucessivas, cada uma com sua própria campanha? Onde uma eleição
custa caro, o projeto propõe duas - uma em lista, disputada entre os
partidos, para determinar o número de cadeiras que corresponde a cada
um, e outra com voto nominal nos candidatos para determinar os eleitos
em cada partido. Quantos sabem dessa onerosa novidade?
O site da
Coalizão por uma Reforma Política Democrática e Eleições Limpas abre uma
telinha onde se lê que "Sua assinatura faz lei". Faz? É claro que não!
Quem faz lei é o Congresso Nacional e o projeto de iniciativa popular
somente se tornará lei se for aprovado pelo parlamento, coisa altamente
improvável porque a maioria parlamentar não parece interessada em
aprovar uma reforma política que tenha bênçãos do PT.
Finalmente,
um dos aspectos mais valorizados da pretendida reforma é a assim
chamada "participação popular", ou seja, a democracia direta. Ora, as
experiência de democracia direta não mostram somente sua inviabilidade
para as sociedades de massa. Revelam, também, que as mesmas são
instrumentos de manipulação. Democracia direta é reunir-se com os
companheiros e proclamar que o povo decidiu. No projeto, contudo, a
"democracia direta" vira plebiscitária, estabelecendo que as "grandes
questões nacionais", como venda de patrimônio público, privatizações,
concessões de serviços, grandes obras com impacto ambiental, sejam
antecedidos por plebiscito. "Para o mundo que nós vamos debater e
decidir!". Democracia plebiscitária é o antônimo de democracia
representativa. Entrega as grandes decisões à demagogia dos demagogos e à
velocidade das discussões sem fim.
Quando a CNBB afanosamente
busca entre os fiéis 1,5 milhão de assinaturas para sua reforma política
de "iniciativa popular", não está ela desconsiderando as dezenas de
milhões de católicos que não assinaram coisa alguma? Não está ignorando
todos os padres e bispos que preferiram não submeter a proposta a suas
dioceses e paróquias e todos os que saíram das missas sem assinar?
Trata-se de uma iniciativa popular não muito popular, ao que parece.
Por fim, não entendo a ira que suscitam em alguns bispos os leigos que
se rebelam contra a posição e o comprometimento da CNBB quando ela
invade, na esfera política, a área das "soluções concretas", em relação a
cujas divergências a sã doutrina sempre recomendou prudente distância.
extraídadepuggina.org





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