Pedro do Coutto
Estão faltando recurso para a saúde, educação, para o financiamento
de imóveis pela Caixa Econômica, a Pricewaterhouse descobriu falhas no
controle da Petrobrás. Todos esses fatos demonstram a existência de uma
desordem generalizada, tanto no governo federal quanto no governo do
estado do Rio de Janeiro, por exemplo. Reportagem de Gisele Ouchana e
Gustavo Schimit, publicada na edição de ontem de O Globo, assinala que
dívidas não pagas no montante de 350 milhões pelo Palácio Guanabara
causaram a suspensão dos serviços de limpeza, manutenção e fornecimento
de insumos aos hospitais do estado.
Na mesma edição, Paula Ferreira e Tiago Jansen revelam que a
Universidade Federal Fluminense e o Colégio Pedro II suspenderam o
fornecimento de alimentação. Problemas também estão atingindo fortemente
a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Enquanto isso o ministro da
Educação Renato Janine Ribeiro revela que não há recursos do FIES para
assegurar a matrícula de 178 mil alunos nas Universidades já no primeiro
semestre. E, quanto ao segundo semestre, ele nada pode confirmar, pois
necessita da liberação de recursos orçamentários.
O orçamento para 2015 foi finalmente assinado pela presidente Dilma
Rousseff, através da Lei 1.315, cujo montante se eleva a 2,9 trilhões de
reais, um pouco acima do total da lei de meios de 2014, que foi de 2,6
trilhões. Impressiona que o orçamento para este ano tenha sido
sancionado sem a respectiva previsão dos desembolsos em relação ao
programa de financiamento do ensino. Mas que fazer? Diante da falta de
previsão e provavelmente de provisão o remédio é esperar que seja
traçado um rumo mais concreto para o projeto que o próprio governo
criou.
TODOS AGUARDANDO…
Os 178 mil alunos terão que aguardar os acontecimentos e os
desdobramentos do desafio financeiro que se coloca à frente da mesa
tanto do titular da Educação quanto da presidente da República. Aguardar
também é o que a Caixa Econômica Federal está informando aos candidatos
a financiamento para compra de casa própria, conforme a reportagem de
Renan Marra, Toni Sciareta e Eduardo Cucolo, publicada ontem dia 13 na
Folha de São Paulo. A Caixa criou uma fila de espera sustentando a
existência de problemas decorrentes do fato de os saques nas Cadernetas
de Poupança terem superado os depósitos.
A Caixa Econômica afirma não ter suspendido a concessão dos créditos,
mas que a interrupção é consequência dos ajustes nas fontes de recurso e
nas taxas dos empréstimos. Outro problema, acrescento eu, é reflexo da
queda do nível de emprego, e do salário, pois o fundo de garantia também
depende da ampliação do mercado de trabalho e da manutenção dos níveis
salariais. Voltando à orientação da CEF, a partir de março, acentua a
Folha, os pedidos de financiamento são analisados caso a caso.
E A PETROBRÁS?
Acrescentando ao problema geral que está envolvendo o país, Vinicius
Sassine e Jailtom de Carvalho,em reportagem de O Globo de ontem, revelam
que a Pricewaterhouse alertou o Conselho de Administração da Petrobrás,
em reunião realizada a 22 de abril, quando a estatal divulgou o balanço
do ano passado, advertindo que ainda existem falhas no sistema de
controle da empresa. Auditores identificaram brechas no sistema de
fiscalização interna, ressaltando que o ambiente na empresa é “pouco
favorável a pessoas que queiram fazer denúncias”.
Os auditores da Pricewaterhouse preveniram que existem ainda focos
que não permitem que as ações corretivas operem de maneira efetiva. Como
se constata, a desorganização tomou conta do governo federal, do
governo do Rio de Janeiro e também do governo do Paraná, pela crise
aberta pela violência contra os professores, que levou o governador Beto
Richa a ter de afastar Secretários Estaduais e se afirmar vítima dos
acontecimentos. Tanto assim que afirmou que ninguém sofreu mais do que
ele pelo que sucedeu nas ruas de Curitiba e nas imediações do Palácio
Iguaçu. Assim também é demais.
A desorganização e a desordem causada por falta de liderança política
e de ação administrativa têm limites. Porém, no Brasil, verifica-se que
os limites da incompetência estão sendo ultrapassados. Velozmente.
extraídadoblogtribunadainternet





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