Com Blog Rodrigo Constantino - Veja
O slogan é bonito: Pátria Educadora. Mas fica só nisso. É o que o PT
sabe fazer: criar slogans marqueteiros. Já quanto a entregar resultados
prometidos… E não é de hoje que é assim. Não é apenas a presidente
Dilma. Era assim com Lula também. Programas megalomaníacos, muita
fanfarra em suas divulgações, e depois um previsível resultado caótico,
que teria de melhorar muito para ser somente medíocre.
O Brasil caminha para trás quando o assunto é educação, e isso já podia ser antecipado no começo. Relendo meu livro Estrela Cadente, de 2005, fica claro isso. Abaixo, o capítulo sobre educação:
O
Governo Federal lançou, em 2003, o programa Brasil Alfabetizado,
visando à “inclusão educacional”. Foram aplicados, neste ano do
lançamento, R$ 175 milhões. Sua missão é abolir o analfabetismo no
Brasil. O governo Lula afirmou que pretende utilizar o “método cubano de
alfabetização” de jovens e adultos neste programa. Foi assinado um
protocolo de intenções pelo ministro da educação, Tarso Genro. O local
escolhido para o projeto piloto foi o Piauí.
De
fato, parece mais uma iniciativa “brilhante” deste governo. Afinal,
basta observar a “educação” existente em Cuba para ficarmos contentes
com esta medida. E logo o Piauí como cobaia, um local tão “rico”, que
pode se dar ao luxo de arriscar uma experiência dessas. Se alguém falar
que o PT está tentando explorar a miséria alheia para dividendos
políticos, seria uma injustiça! Afinal, não tem sido parte do currículo
petista, principalmente enquanto oposição, a estratégia de chacoalhar ao
máximo as árvores para colher os frutos do chão, típica cartilha
socialista. Besteira! Nunca incitaram greves para paralisar a economia
nacional, nunca estimularam invasões de terras gerando instabilidade no
campo, nunca pregaram o calote da dívida externa, nada disso.
O
próprio secretário de educação do MEC, Ricardo Henriques, destacou o
“sucesso” do método cubano em outros países. Basta verificar onde ele já
foi aplicado para se ter certeza absoluta que o PT está realmente
determinado a melhorar a qualidade de vida do povo. O método cubano foi
aplicado, além de Cuba, claro, na Venezuela, Nicarágua e Haiti. Estamos
em “ótima” companhia. Seria um mero detalhe o fato de que tais nações
estão entre as mais miseráveis do continente, piorando com o tempo. O
Haiti e a Venezuela tiveram inflação superior a 30% por ano
recentemente. A Nicarágua tem somente 67,5% da população capaz de ler e
escrever, um dos índices mais baixos da América Latina. Estima-se que
cerca de metade da sua população está abaixo da linha da pobreza. O país
tem uma das piores distribuições de renda do mundo. O Haiti então nem
se fala. A estimativa em 2003 do órgão americano de inteligência, a
C.I.A., é de que 80% da sua população encontrava-se abaixo da linha da
pobreza. Com o agravamento recente da situação no país, vivendo uma
guerra civil, o índice deve ter piorado mais ainda. A Venezuela, apesar
dos bilhões que jorram do chão em petrodólares, afunda cada vez mais em
crise econômica e aumento da miséria, sem falar da instabilidade
política causada pelo presidente Hugo Chavez, amigo de Lula e com o
visível sonho de tornar-se a cópia, só que sem barba, do ditador Fidel
Castro, quem chama de “irmão mais velho”.
Creio
que para qualquer cargo que um administrador ou consultor fosse se
candidatar, um dos primeiros itens a ser analisado seria justamente o
currículo, as experiências passadas. Imaginem um consultor tentar vender
seus serviços mostrando, como trabalhos passados, apenas empresas
totalmente falidas! Acho que ele não teria muita chance. Mas com a
educação do país, algo da maior seriedade, as pessoas não ligam para o
fato assustador que um modelo adotado somente em nações miseráveis está
sendo proposto como solução para o Brasil. Uma rápida analisada nos
ratos de laboratório do modelo cubano basta para termos calafrios com
mais esta idéia do PT, sempre muito inspirado em Fidel.
Alguns
mais ingênuos argumentam que em Cuba, ao menos, não há analfabetos.
Bem, como disse Mário Quintana, “os verdadeiros analfabetos são os que
aprenderam a ler e não lêem”. O que existe em Cuba não é nem nunca foi
educação, mas sim doutrinação ideológica. Professores “ensinam” somente o
que o ditador determina, e ocorre uma verdadeira lavagem cerebral nas
crianças. Seria tão bom se um engenheiro cubano pudesse de fato
construir algo, e não ter que dirigir um táxi para sobreviver. Seria
maravilhoso se um administrador tivesse algum negócio para administrar,
em vez de ter que viver às custas da esmola do governo, que não permite o
empreendedorismo “individualista”. E por fim, como seria fantástico se
os alfabetizados cubanos pudessem ler mais do que um jornal, o único
existente e controlado pelo governo, já que Fidel considera mais que
isso um “disperdício de papel”. Nem mesmo um livro desses poderia ser
lido por um “erudito” cubano. Eis a “beleza” do modelo cubano de
alfabetização! Se um dia o PT realmente conseguir transformar nosso
inferno num “paraíso” como Cuba, haja balsa suficiente para tanto
dissidente brasileiro fugir para a Flórida…
Fora
esse verdadeiro atentado à educação básica de alfabetização, o governo
Lula vem demonstrando um viés autoritário no ensino superior. Em artigo
no Jornal do Brasil (02/03/2005),
Antônio Sepúlveda afirmou que “o sistema educacional está em via de ser
estuprado pelos ideólogos petistas que se sustentam na falácia estúpida
de que o Estado é soberano, tragicamente dono de nossas escolhas e
senhor de nossas vidas”. O MEC propôs uma reforma universitária onde a
liberdade dos empresários é totalmente solapada pelo desejo dos
políticos. Isso representa um grave risco para a liberdade individual,
podendo no futuro transformar ensino em doutrinação ideológica. O risco
não deve ser minimizado, ainda mais quando várias críticas surgiram pela
lista de trabalhos que o MEC disponibilizou em sua biblioteca virtual,
com claro viés esquerdista. Autores liberais eram mais raros que
diamante, enquanto abundavam obras de Marx. As universidades precisam
ser livres, principalmente da mão forte do governo. Não vamos esquecer
que as Academias no passado surgiram pela iniciativa de alunos e
mestres, sem nenhuma intervenção do Estado. Assim o mundo conheceu, por
exemplo, Sócrates, Platão e Aristóteles. Quando o Estado interferiu, foi
para dar veneno de cicuta para Sócrates.
O
governo de Olívrio Dutra, no Rio Grande do Sul, já deu demonstrações
práticas dessa interferência ideológica, como observou Denis Rosenfield:
“Estamos diante de uma ideologização do ensino secundário público, já
que professores prestam exames nos quais podem tirar zero em português,
sempre e quando se saiam bem em leitura de textos cujo conteúdo
ideológico, marxista ou para-marxista é claro”. Aparentemente, o PT,
agora que comanda toda a nação, pretende estender esse viés para o
ensino privado também.
A
proposta original para a reforma universitária, que ainda vem sendo
debatida, determinava que as universidades iriam se pautar pela “gestão
democrática e colegiada”, tendo um conselho comunitário social fazendo
supervisão e acompanhamento das atividades. Isso viola completamente a
autonomia universitária. A Academia Brasileira de Ciências desprezou a
idéia de um conselho comunitário e propôs um Conselho de Desenvolvimento
forte, de caráter deliberativo apenas. Uma universidade privada é uma
empresa privada, que vende educação. Entra quem quer, em um contrato
bilateral entre cliente e empresa. Os indivíduos têm que ter a liberdade
de escolha do seu curso, de acordo com suas preferências e avaliações. O
governo interferindo dessa maneira prejudica o ensino, pois a
universidade passa a ser quase um braço político do partido, perdendo
sua liberdade, fundamental para uma educação imparcial.
Os
socialistas usam sempre o conceito de “participação da sociedade”, mas
na prática é evidente que isso significa poder concentrado em poucos
burocratas. Ou alguém realmente acredita que terá participação ativa num
conselho comunitário desses? O PT gaúcho usou muito no discurso o
“orçamento participativo”, que tinha essa idéia de compartilhar a gestão
do orçamento com todos. Basta perguntar a alguém do Rio Grande do Sul o
que ocorreu na prática durante o governo de Olívio Dutra. A “sociedade”
acaba se transformando em uma pequena cúpula do partido, que manda e
desmanda de acordo com seus interesses particulares. Vimos isso quando
algumas pessoas foram expulsas do PT por discordarem das decisões de
cima. Além disso, o argumento de número não justifica a supressão da
liberdade das universidades, que são propriedades privadas. Ora, se
todos os alunos quiserem então mandar no reitor, este estará submisso
àqueles? Historicamente, vimos que o nazismo foi apoiado pelo “maior
número”, pela maioria da população da Alemanha, e isso não o faz justo
nem correto, muito menos desejável.
Outro
ponto absurdo da reforma é o que limita a participação de capital
estrangeiro na universidade privada em 30% do total investido. Trata-se
de uma medida puramente ideológica, com forte ranço de nacionalismo
xenófobo. Educação é mais um produto, e um dos mais importantes. Ora, é
fundamental que tenhamos portanto produtos de boa qualidade na
prateleira, independente da nacionalidade do produtor. O Brasil já
navegou por estas turvas águas “nacionalistas” quando praticou reservas
de mercado, “protegendo” produtos nacionais. Na verdade, quando o
governo decreta que a competição morreu, garantindo a sobrevivência das
empresas nacionais, mesmo que com produtos bem piores, temos uma
drástica queda na qualidade dos bens e serviços ofertados. Poucos
empresários amigos do “rei” de Brasília agradecem, pois a concorrência
sumiu com uma canetada, mas todos os consumidores pagam o preço, com
produtos piores e preços maiores. Basta lembrar da Lei da Informática,
que inviabilizou a entrada dos entrangeiros nesse importante mercado,
lançando o Brasil na idade paleolítica, se comparado ao resto do mundo.
Eis a mesma “lógica” por trás de uma medida sem sentido dessas. Uma
Harvard, por exemplo, estaria vetada se quisesse “explorar” o Brasil. O
povo acaba sendo explorado pelo governo mesmo!
O
resultado disso, em conjunto com outras medidas intervencionistas, como
as cotas, é o que chamam de “brain drain”, onde os principais
intelectos do país migram para nações mais livres. A Inglaterra sofreu
muito isso no passado, quando o governo partiu para um rumo mais
socialista, vendo inúmeros bons alunos indo trabalhar e estudar nos
Estados Unidos. A Índia é outro bom exemplo, já que diversos doutores
formados nos Estados Unidos vem de lá. O governo Lula está apenas
contribuindo para mais um item de exportação da pauta brasileira: mentes
brilhantes!
É
verdade que o Brasil tem um enorme contingente de mentecaptos, mas o
nosso governo costuma atrapalhar em vez de ajudar na solução desse
problema. Há inclusive uma certa contradição, já que o presidente, que
não tem diploma universitário, pretende apontar depois de eleito quem
irá comandar as universidades. Inclusive, existe um patrulhamento dos
“politicamente corretos” para que não se critique a falta de formação do
presidente, como se isso fosse algum tipo de preconceito. Um gari
precisa de curso primário completo, mas não podemos questionar sobre a
formação do presidente do país. Questionar seu preparo para a tomada
dessas decisões autoritárias justamente na educação dos outros passa a
ser quase um pecado. Acabam idealizando a ignorância, como se a busca
pelo conhecimento não fosse desejada ou necessária. Isso está refletido
nas eleições para vereadores em 2002, onde apenas 14% dos eleitos
concluíram uma universidade.
Mas
voltando à contradição, o povo é tratado como incapaz de decidir, só
que na hora da eleição é justamente o mesmo povo que escolhe o
governante. Alegam que os ignorantes precisam ser protegidos pelo Estado
dos empresários “gananciosos” das universidades privadas, pedindo assim
o paternalismo estatal. Mas há poucos minutos atrás esses mesmos
ignorantes deveriam ser livres para a escolha do próprio presidente!
Pergunto então: quem protege o povo mentecapto da ganância e enganação
dos políticos? Os “marqueteiros” por acaso pintam um quadro real e
sincero dos candidatos? Políticos, logo eles, são por acaso santos? E
vamos lembrar que a eleição se dá apenas de 4 em 4 anos, sem a liberdade
do “consumidor” trocar o “produto” no meio desse tempo, se estiver
insatisfeito. Já a interação no livre mercado, inclusive de educação, é
ininterrupta, forçando, através da competição, que os empresários
estejam sempre buscando melhorar o atendimento ao consumidor, sob o
risco de falir caso a concorrência faça melhor. É simplesmente
contraditório defender o sufrágio universal na política ao mesmo tempo
que um paternalismo estatal.
A
triste realidade é que muitos governantes contam justamente com essa
ignorância para vender seus sonhos utópicos e esta imagem de “pai dos
pobres”. E ignorante é o que não falta nesse país. O Programa
Internacional de Avaliação de Alunos, Pisa, divulgou sua pesquisa de
2003 onde foram avaliados 250 mil alunos de 15 anos em diversos países. O
rendimento brasileiro foi tão baixo que não pôde sequer ser
classificado num dos seis níveis de desempenho da prova. Em matemática,
tivemos grande destaque: o último lugar! Ficamos atrás da Tunísia e
Indonésia. Deve ser por isso que no Brasil fazem tanto barulho para que o
Estado resolva todos os problemas sócio-econômicos, gerando empregos,
reduzindo os juros com sua caneta, financiando as empresas, aumentando
gastos sociais, alimentando todos e ainda reduzindo impostos, que
ninguém gosta. O brasileiro pensa que recursos são ilimitados. Não
entende o conceito de escassez, e nem calcula que para cada um real
gasto pelo governo, este precisa tirar mais que um real do próprio povo.
Em
ciência o Brasil abocanhou o penúltimo lugar, com Tunísia em último.
Vai ver que é por isso que certas leis básicas, como a da gravidade, são
tão ignoradas por aqui. Afinal, o céu é o limite para tantas promessas
utópicas dos candidatos. Creio que isso explica também nosso apreço pela
magia, como os incas, que no desespero de uma safra ruim, sacrificavam
algumas crianças em oferendas para deuses, na esperança da melhora do
tempo. Não somos o país onde a “esperança venceu o medo”? De repente,
basta esperar, com muita fé, que nosso problema de educação será
milagrosamente sanado, justo pelo governo, que tem interesse na
ignorância do povo, e é eleito por ele. Para que pesquisar os exemplos
empíricos e compreender a lógica do processo de ensino?
O
governo Lula andou tomando medidas para um “nivelamento democrático” no
Itamaraty. Para “democratizar” o acesso ao cargo de diplomata, retirou o
inglês como uma exigência especial e eliminatória da prova de admissão.
Argumentaram que a língua pode ser ensinada depois, abrindo assim o
leque de oportunidades para mais gente. Faz sentido! Onde já se viu
demandar o conhecimento pleno dessa língua para profissionais que vão
representar a nação no exterior e negociar com os governantes do mundo
todo? Seria uma exigência puramente “elitista”, condenando os coitados
que não aprenderam o inglês, mas ainda assim querem ser diplomatas. “Só”
porque o inglês é a língua base de toda negociação diplomática? Não
entendi porque o governo não estendeu a medida para “democratizar”
outras profissões, como talvez eliminar o conhecimento de medicina como
obrigatório para médicos, ou o de direito para juizes. Se para
presidente nenhum conhecimento é obrigatório, não seria “elitismo”
exigir que apenas engenheiros possam construir prédios? Eis o conceito
aparente de “democratização” para este governo: reduzir o nível de
dificuldade para o acesso aos cargos, em vez de melhorar a capacidade
dos candidatos. Enquanto isso, o Chile tornou obrigatório o inglês como
segunda língua nos colégios. Não é à toa que eles estão bem melhores que
o Brasil em praticamente todos os indicadores econômicos e sociais.
A
educação é fundamental para qualquer nação civilizada. Entretanto, não é
através do excesso de intervenção estatal que vamos melhorar nossa
situação precária. Temos é que reduzir o Estado, para que os impostos e
juros menores, consequência de gastos públicos menores, possam estimular
o empreendedorismo e a criação de empregos. O governo pode contribuir
no financiamento do ensino básico, mas deixando a gestão em mãos
privadas, com interesses aliados aos do mercado de trabalho, não
ideologias políticas. E as escolhas individuais, assim como a
meritocracia, devem sempre ser respeitadas. O exemplo sul coreano é útil
para mostrar como é o ensino fundamental que precisa ser melhorado, e
com incentivo ao mérito individual. O Brasil segue na contramão da
história, com um governo se espelhando em Cuba, criando cotas que deram
errado no mundo todo, e reduzindo a liberdade das universidades. Talvez
seja exigir demais de um presidente cuja “mãe nasceu analfabeta”, como
ele mesmo disse. Quem sabe se ao menos ela tivesse nascido já poliglota…
EXTRAÍDADEROTA2014BLOGSPOT





0 comments:
Postar um comentário