Com Blog Rodrigo Constantino - Veja
Por Ivan Dauchas, publicado no Instituto Liberal
Os fatos parecem indicar que o PT está chegando ao fim. A combinação de
crise econômica e corrupção é mortal. Há ainda aqueles que defendem o
partido, mas esses tendem a se tornar cada vez mais raros e
desacreditados.
Quando o PT foi criado, em 1980, muita gente ficou empolgada. A ideia de
trabalhadores assumirem o poder político era muito sedutora.
Professores de história costumam ensinar que o sufrágio universal
civilizou o capitalismo. E tudo levava a crer que a solução das mazelas
sociais do Brasil também viria através do voto. O grande problema do
Brasil se resumia no fato de nosso país ter sido sempre governado por
uma elite conservadora, que não se importava muito com as feridas
sociais da nação. Vários intelectuais, artistas, jornalistas aderiram a
essa tese. Os trabalhadores tinham de assumir o poder. Essa era a única
maneira de acabar com as injustiças sociais. E foi assim que o PT se
transformou no principal movimento de esquerda do Brasil.
Confesso que eu também acreditei nessa tese. Porém meu encanto com o PT
foi relativamente breve. Aos poucos, fui me desapontando com o partido.
Meu rompimento definitivo ocorreu em 1994, quando foi implementado o
Plano Real. Naquela época, eu me questionava: por que o PT era contra o
Plano? Simplesmente porque era obra de um outro partido? Ficou claro
para mim que o PT não estava comprometido com o Brasil e sim com um
projeto de poder. Depois disso, vieram outros fatos que me tornaram
ainda mais crítico. Em 2002, Lula foi eleito presidente com um discurso
contra o neoliberalismo. Mas, ao assumir o poder, deu continuidade à
política econômica de seu predecessor, o “neoliberal” FHC. Criticar o
neoliberalismo não passava, portanto, de retórica eleitoreira. Era na
verdade um simples papo furado para engambelar eleitores incautos.
Mas faltava ainda a cereja do bolo. O PT passou a dizer que a
estabilidade econômica não ocorreu com o Plano Real e sim com o governo
Lula. Essa tese era demasiado absurda. Não imaginei que as pessoas iriam
acreditar nela. Mas, por incrível que pareça, funcionou. Depois disso,
concluí que o PT era capaz de qualquer coisa para conquistar e se manter
no poder. O mensalão e o petrolão não me surpreenderam. Simplesmente
reforçaram minha opinião em relação ao partido.
O PT parece estar com os dias contados. E eu deveria estar contente, mas
não estou. Meu sentimento é muito mais de desolação que de felicidade. O
PT envergonha todos os trabalhadores do país. Muita gente deve estar
pensando: é melhor que o país seja governado pelas elites. É melhor
também que os trabalhadores continuem nas fábricas, de onde nunca
deveriam ter saído. O PT desperdiçou uma oportunidade histórica, a de
mostrar que trabalhadores podem governar com responsabilidade o Brasil.
Essa não é a primeira vez que o povo brasileiro se desaponta com uma
teoria fantasiosa. O momento atual guarda muita semelhança com o
movimento Diretas Já, dos anos 1980. Naquela época, o povo encampou a
tese de que todos os males do Brasil eram decorrentes de um governo
autoritário. A democracia era a solução mágica para todos os problemas:
estagnação econômica, pobreza, desigualdade, inflação etc. Tudo seria
resolvido com a redemocratização do país. E quando o povo, após uma
longa espera de mais de vinte anos, teve oportunidade de escolher, pelo
voto direto, o Presidente da República, escolheram Fernando Collor de
Mello. Fica a lição aos brasileiros: a democracia pode falhar.
A lição deixada pelo PT é que trabalhadores no poder não é a solução
infalível para os problemas sociais. Trabalhadores, mediante o sufrágio
universal, podem ter civilizado o capitalismo inglês do século XIX, mas
não deixaram muitas contribuições importantes para o Brasil do século
XXI. Em vez de continuarmos presos a esse conceito de classes sociais,
penso que o melhor é escolher nossos representantes políticos pelo
caráter, experiência e capacidade. Em qualquer classe social podemos
encontrar pessoas corretas e competentes. E também espertalhões que
querem apenas se dar bem. A duras penas, vamos aprendendo como funciona
uma democracia.
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