Bernardo Mello Franco FOLHA DE SÃO PAULO
Desde o início de fevereiro, o presidente da Câmara, o presidente do
Senado e outros 33 parlamentares são investigados no Supremo Tribunal
Federal, sob suspeita de receber propina do petrolão.
Passados mais de três meses, o Congresso nada fez para tirar sua imagem
da lama. Os conselhos de ética não abriram nenhum processo por quebra de
decoro. A CPI da Petrobras, uma mistura de "Zorra Total" com "Show de
Calouros", só é lembrada quando alguém resolve soltar ratos ou cantar no
microfone.
Se a omissão diante do escândalo já seria condenável, agora acontece
algo mais grave. Em duas frentes simultâneas, o grupo que controla o
Legislativo tenta mudar a Constituição para melar a Lava Jato.
Há duas emendas no forno com esse objetivo. Uma veda a recondução do
procurador-geral da República, o que a lei atual permite. A outra
permite a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado na mesma
legislatura, o que a lei atual proíbe.
Caso sejam aprovadas, as medidas vão atingir o procurador Rodrigo Janot e
beneficiar os peemedebistas Eduardo Cunha e Renan Calheiros. Em uma
frase, encurtarão o mandato do investigador e prorrogarão os mandatos
dos investigados.
Nos últimos dias, parlamentares de PT e PSDB começaram a ensaiar um
acordo para impedir que o Congresso vire arma contra a independência do
Ministério Público.
Quem optar pelo outro lado terá a companhia de Fernando Collor. Na noite
de terça-feira, em um ato de humor involuntário, o senador subiu à
tribuna para pedir o impeachment de Janot.
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