Com Blog Felipe Moura Brasil - Veja
Quando ele se desiludiu com a hipocrisia do ditador cubano e tentou se aposentar em 1994, Castro mandou jogá-lo na prisão.
Sanchez tentou fugir da ilha dez vezes, finalmente chegando aos EUA em 2008.
Agora, ele revela tudo em um novo livro: A vida dupla de Fidel Castro (St. Martin’s Press).
O New York Post divulgou no domingo cinco trechos em que Sanchez expõe a vida de privilégios do “El Jefe’s”, o Comandante.
Pedi que Claudia Costa Chaves os traduzisse aqui para o blog. Segue o primeiro.
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Para os cubanos, Fidel Castro se apresenta como um homem do povo,
declarando ganhar apenas 900 pesos por mês (cerca de US$ 38) e não
possuir qualquer outro imóvel além de uma modesta “cabana de pescador”
em algum local da costa.
Na verdade, El Jefe tem uma fortuna de centenas de milhões e é dono de
20 propriedades, incluindo um chalé onde ele costuma caçar patos todo
ano e uma marina particular na Baía dos Porcos.
A residência principal é Punto Cero, o esconderijo da família dele.
Ninguém sabia, até recentemente, que ele teve uma esposa, Dalia, com
quem gerou cinco filhos, todos com nomes começando com a letra “A”:
Alexis, Alex, Alejandro, Antonio e Angelito.
O próprio irmão de Fidel, Raúl, só foi apresentado a eles quando os filhos já eram adultos.
Enquanto isso, poucos sabem que Fidel teve pelo menos três filhos fora
do casamento, inclusive um com a intérprete pessoal e amante de longa
data, Juanita.
Castro pode não ostentar tanto quanto Kadafi ou Saddam Hussein, mas ele é rico como muita gente sonha ser.
A aparência pessoal simples se deve mais à preguiça do que à
austeridade. Castro, que raramente acorda antes das 10 ou 11 da manhã,
fica feliz por não usar terno e confessa que a maior razão para cultivar
a barba é não precisar se barbear todo dia.
Mas há muitos benefícios quando se é o depositário da riqueza de Cuba.
Ele tem uma quadra de basquete particular onde jamais perdeu um jogo. E
tem um hospital particular que abriga duas pessoas em tempo integral só
porque elas têm o mesmo tipo sanguíneo que ele.
Em Punto Cero, cada membro da família tem uma vaca pessoal para
satisfazer os gostos individuais, pois a acidez e cremosidade do leite
fresco variam de uma vaca para a outra. Assim, o leite chega à mesa em
garrafas numeradas com um papelzinho colado, correspondendo à vaca
pessoal de cada um.
Antonio era o No. 8; Angelito, No. 3, e Fidel, No. 5, o mesmo número que ele usava na camiseta de basquete.
Não havia possibilidade de enganá-lo: Fidel tinha paladar apurado e
podia identificar de imediato se o sabor do leite não correspondesse ao
da garrafa anterior.
Se Lula tem fazenda reformada pela OAS, Fidel Castro tem a sua ilhota.
Segue o segundo trecho do livro do ex-guarda-costas do ditador cubano.
A Ilhota de Pedra
Talvez a maior extravagância é Fidel Castro ter uma ilha secreta particular.
Ironicamente, ele deve agradecer a John F. Kennedy. Em abril de 1961, um
grupo de exilados cubanos treinados pela CIA aportou na Baía dos Porcos
e tentou derrubar o governo cubano. Foi um retumbante fracasso.
Nos dias subsequentes ao ataque fracassado, Fidel foi explorar a região e
encontrou um pescador de rosto encarquilhado que todos chamavam de El
Viejo Finalé. Ele pediu que o Velho Finalé o guiasse pela área e o
pescador imediatamente o levou, a bordo do pesqueiro, a Cayo Piedra, uma
pequena “joia” situada a dezesseis quilômetros do litoral e conhecida
apenas pelos habitantes do local.
Fidel se apaixonou na hora pelo lugar de beleza selvagem digna de
Robinson Crusoé e decidiu tomá-la para si. O faroleiro foi mandado
embora, o farol foi fechado e, mais tarde, demolido.
Para ser exato, Cayo Piedra é formado não por uma ilha, mas por duas,
pois um ciclone a dividiu ao meio. Entretanto, Fidel resolveu o problema
construindo uma ponte de 215 metros ligando as duas partes.
A ilha mais ao sul era um pouco maior que a correspondente mais ao norte
e foi ali, no local do antigo farol, que Castro e a mulher, Dalia,
mandaram construir a casa: um bangalô de cimento em forma de L colocado
em um planalto virado para o leste, para o mar aberto.
Enquanto os cubanos comuns sofriam, era ali que Castro ia descansar.*
Eis
o terceiro trecho do livro do ex-guarda-costas de Fidel Castro. O
autor continua falando da ilhota particular do ditador cubano, onde ele
gostava de passar férias burguesas.
Golfinhos e churrascos
No lado oeste da ilha, virado para o poente, os Castro mandaram construir uma doca de 60 metros para o iate particular.
O Aquarama II, inteiramente decorado com madeiras exóticas importadas de
Angola, tinha quatro motores próprios para barcos-patrulha soviéticos,
um presente do russo Leonid Brezhnev.
Quando em força total, eles impulsionavam o Aquarama II à fenomenal,
invencível velocidade de 42 nós, ou cerca de 80 quilômetros por hora.
Para permitir a ancoragem do Aquarama II, Fidel e Dalia também mandaram
escavar um canal de 800 metros, sem o qual a flotilha não conseguiria
chegar até a ilha, que é rodeada por bancos de areia.
O quebra-mar é o epicentro da vida social em Cayo Piedra.
Uma plataforma flutuante de sete metros de comprimento foi anexada a ele
e, na plataforma, eleva-se uma cabana de sapê com um bar e
churrasqueira.
A partir desse bar e restaurante flutuante, todos podem admirar uma
minúscula baía onde, para deleite de adultos e crianças, tartarugas
(algumas com mais de um metro de comprimento) são criadas.
Do outro lado da doca, havia um “dolfinário” que abrigava dois golfinhos
domesticados que animavam o passar dos dias com brincadeiras e saltos.
Fidel Castro também deu a entender e, por vezes, chegou a declarar, que a
revolução não lhe deu nenhuma chance de ter folga ou lazer e que ele
não conhecia e mesmo desprezava o conceito burguês de “férias”.
Nada poderia ser mais falso.
De 1977 a 1994, eu o acompanhei em centenas de visitas ao pequeno
paraíso que é Cayo Piedra, onde participei de outras tantas pescarias ou
expedições de caça submarina.
A vida privada do Comandante era o segredo mais bem guardado de Cuba.
Fidel Castro sempre garantiu que as informações a respeito da família
fossem mantidas em segredo, de modo que, ao longo de seis décadas, quase
nada foi descoberto sobre os sete irmãos e irmãs da família Castro.
A separação entre a vida pública e a vida privada, herança do período em
que ele viveu na clandestinidade, atingiu proporções inimagináveis.
Nenhum dos irmãos de Fidel jamais foi convidado ou colocou os pés em
Cayo Piedra. Raúl, a quem Fidel era mais chegado, pode ter estado lá na
ausência dele, se bem que eu jamais o encontrei pessoalmente.
Aqueles que podem se orgulhar de ter visto a ilha misteriosa com os
próprios olhos e que não fizessem parte do núcleo familiar, em outras
palavras, Dalia e os cinco filhos, são poucos e raros.*
Abaixo, o quarto trecho do livro do ex-guarda-costas de Fidel Castro. O
que o dono de uma emissora esquerdista e um aclamado escritor comunista
tinham em comum? Hospedagem na ilha VIP de Fidel Castro.
A lista de convidados
Fora vários homens de negócios estrangeiros cujos nomes eu já esqueci e
vários ministros cubanos escolhidos a dedo, os únicos visitantes da ilha
dos quais eu consigo me lembrar, foram:
- o presidente colombiano Alfonso López Michelsen (1974-1978), que foi
passar um fim de semana lá com a mulher, Cecilia, por volta de 1977 ou
1978;
- o negociante francês Gérard Bourgoin, conhecido como o Rei do Frango, que a visitou por volta de 1990, na época em que exportava o know-how para produção avícola para o mundo todo;
- o dono da CNN, Ted Turner;
- a estrela apresentadora do canal de TV americano ABC, Barbara Walters;
- e Erich Honecker, líder comunista da República Democrática Alemã (RDA) de 1976 a 1989.
- o negociante francês Gérard Bourgoin, conhecido como o Rei do Frango, que a visitou por volta de 1990, na época em que exportava o know-how para produção avícola para o mundo todo;
- o dono da CNN, Ted Turner;
- a estrela apresentadora do canal de TV americano ABC, Barbara Walters;
- e Erich Honecker, líder comunista da República Democrática Alemã (RDA) de 1976 a 1989.
Eu nunca vou me esquecer da visita de 24 horas a Cayo Piedra deste
último, in 1980. Oito anos antes, em 1972, Fidel Castro havia rebatizado
a ilha de Cayo Blanco del Sur como Ilha Ernst Thälmann. Melhor ainda:
em uma demonstração de amizade simbólica entre as duas “nações irmãs”,
ele ofereceu à RDA aquele pedaço de terra desabitado com 15 quilômetros
de comprimento e 500 metros de largura, situada uma hora de barco da
ilha particular de Fidel.
Ernst Thälmann foi um líder histórico do Partido Comunista alemão sob a
República de Weimar e que acabou executado pelos nazistas em 1944. Em
1980, durante uma visita oficial de Honecker a Cuba, o líder da Berlim
Oriental deu uma estátua de Thälmann a Fidel. Logicamente, Fidel
resolveu colocar a obra de arte da ilha de mesmo nome — razão pela qual
eu estive presente naquela inacreditável cena em que dois chefes de
estado chegaram no Aquarama II e desembarcaram no meio de lugar nenhum
para inaugurar a estátua de um sujeito esquecido em uma ilha deserta,
testemunhada apenas por iguanas e pelicanos.
Que eu saiba, a enorme estátua de Thälmann, de dois metros de altura, foi derrubada do pedestal pelo furacão Mitch em 1998.
Na verdade, os únicos dois frequentes visitantes à ilha de Cayo Piedra
que não eram membros da família foram o escritor colombiano Gabriel
García Márquez e o antropólogo e geógrafo Antonio Núñez Jiménez, dois
dos amigos mais íntimos de Fidel e principais habitantes da casa de
hóspedes de Cayo Piedra.
Abaixo, o último dos cinco trechos do livro do ex-guarda-costas de Fidel
Castro. Acrescento ao fim mais uma notinha sobre Lula. Tudo tão
parecido.
Enquanto Cuba sofre
Fidel Castro era um excelente mergulhador e adorava pesca de arpão.
O ritual de retorno era imutável. As numerosas presas de Fidel eram
enfileiradas no quebra-mar e separadas por espécie: as bremas ficavam
juntas, as lagostas ficavam juntas, e assim por diante.
Os peixes pescados por Dalia, que pescava separadamente sob a proteção
de dois mergulhadores de combate, eram arrumados ao lado, para ela e
Fidel passar em revista ao banquete que viria a acontecer sob os
comentários admirados e divertidos do séquito.
“Comandante, ¡es otra una pesca milagrosa! [outra pesca milagrosa!],” eu
dizia, certo de que meu comentário arrancaria sorrisos dos principais
interessados, bem como de todos os outros presentes.
Essa dolce vita representava
enorme privilégio, comparada com o estilo de vida dos cubanos comuns,
cuja vida espartana se tornou consideravelmente mais difícil desde a
queda do Muro de Berlim e o colapso da União Soviética.
Subsídios de Moscou, que sustentaram certo nível de prosperidade, se
esgotaram. A economia cubana, que dependia em quase 80% do comércio
exterior com o bloco oriental, estava desmoronando como um castelo de
cartas e as famílias sobreviviam em filas para conseguir pão enquanto o
PIB despencava 35% e o fornecimento de eletricidade era gravemente
inadequado.
Enquanto isso, Fidel Castro bebericava uísque com gelo e comia peixe fresco na sombra da ilha secreta.
* Tradução de Claudia Costa Chaves a pedido deste blog.
** Nota:
Enquanto o Brasil sofre, Lula bebe uísque Black Label, como noticiou a
Folha hoje mesmo, em festa regada a champanhe Barons de Rothschild Brut e
vinho tinto Chateau Lafite Monteil.
EXTRAÍDADEROTA2014BLOGSPOT





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