Sebastião Nery
José de Almeida Alcântara, alto, cabeleira branca exposta ao vento,
talentoso, audacioso, coletor federal, prefeito, deputado, era um terror
para seus adversários na política de Itabuna, sul da Bahia.
Em 1960 apoiou Jânio Quadros, da UDN. Teixeira Lott, candidato do PSD
e PTB, foi a Conquista com uma grande caravana. Tão grande que o
palanque não aguentou, desabou, quase quebrou a perna do velho marechal
que ficou impedido de seguir para o comício de Itabuna. Ele não foi, mas
a comitiva foi e fez comício na praça. No dia seguinte Alcântara, que
apoiava Jânio, convocou um comício contra Lott. E fez como sempre um
discurso desabusado:
– “Ontem esteve nesta praça um punhado de contrabandistas: João
Goulart, contrabandista de boi para a Argentina. Batista Luzardo,
contrabandista de ovelhas para o Uruguai. Orlando Moscoso,
contrabandista de cacau e até o padre Nestor Passos contrabandista de…
Parou, pensou, continuou:
– “Contrabandista de almas. Encomenda as almas para o céu e manda todas para o inferno.”
Jânio ganhou em Itabuna.
ALCÂNTARA
Prefeito, Alcântara brigou com Gileno Amado, compadre do governador
Juracy e líder da UDN na região. Gileno lançou uma campanha para forçar
Alcântara a renunciar. Chamou o vereador da UDN Manoel Alvarandio e
promoveram uma marcha popular até a prefeitura, todos gritando
“impeachment! impeachment!”
Alcântara apareceu na porta da prefeitura com os brancos cabelos
esvoaçantes, um pedaço de papel na mão esquerda, uma caneta na mão
direita e desafiou a multidão:
-“Voces querem meu impeachment, eu renuncio. Mas antes preciso que
este moleque, o vereador Alvarandio, escreva a palavra impeachment aqui
neste papel.”
Alvarandio e a multidão foram dormir.
IMPEACHMENT
Março começou com o país se preparando para a grande marcha do dia 15
contra os desvarios da presidente Dilma. O povo vai dizer nas ruas
porque não está engolindo esta farsa de uma candidata que ganhou a
eleição dizendo uma coisa e agora, com toda a sua cara de pau, que está
murchando dia a dia, faz tudo ao contrário.
Não se trata, por enquanto, de fazer impeachment agora, que é uma
arma que a Constituição entrega ao país só nas horas do desastre final.
Mas é preciso que cada um assuma suas responsabilidades. Essa história
de Lula e Dilma rebolando nos palanques e televisões como se nada
tivessem a ver com a roubalheira na Petrobrás é asquerosa e intolerável.
Cada um, presidentes da República, presidentes da Petrobrás,
presidentes e membros do Conselho Administrativo, vai ter que assumir
suas responsabilidades e pagar pelo que fizeram ou deixaram de fazer.
LULA
Em Angra dos Reis, no dia 7 de outubro de 2010, o presidente Lula
proclamava: “No nosso governo a Petrobrás é uma caixa branca e
transparente. A gente sabe o que acontece lá dentro. E a gente decide
muitas coisas que ela vai fazer.”
A autossuficiência promoveu o festival de incompetência de projetos
inviáveis, como as refinarias de Pernambuco, Ceará, Maranhão e Rio de
Janeiro. Todas elas consideradas inviáveis pelo corpo técnico da
Petrobrás. No parecer “Análise empresarial dos projetos de
investimento”, de 25 de novembro de 2009, era documentado o ponto de
vista técnico da empresa, atropelado e desconsiderado pelo então
presidente da República, que agora queda-se em silêncio constrangedor
ante as revelações da “Operação Lava Jato”.
DILMA
A presidente do Conselho de Administração da estatal era Dilma
Rousseff. Chegando depois à presidência da República, o seu governo
ampliou e agravou a situação financeira da empresa. O caixa foi
dilapidado à exaustão para atender ao populismo fundamentalista.
Importava petróleo à média de 100 dólares/barril e vendia internamente a
75 dólares/barril. Estimava-se o prejuízo em R$ 65 bilhões.
Agora o grupo de Economia e Energia da Universidade Federal do Rio de
Janeiro encontrou outro número. O economista Edemar de Almeida, na
“GloboNews”, coordenador do Grupo, afirmou que o prejuízo da Petrobrás
foi de R$ 106 bilhões. No governo Dilma Rousseff, por consequência, o
endividamento da Petrobrás quadriplicou.
A maior crise da história da estatal teve pai e mãe, autênticos
carrascos na mutilação da quinta maior empresa de petróleo do mundo.
A rapina foi a garantia da roubança e do conluio dos corruptos e
corruptores na expropriação de bilhões de reais alimentando quadrilhas.
EXTRAIDADATRIBUNADAINTERNET





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