Jornalista Andrade Junior

quinta-feira, 19 de março de 2015

"O grande gesto"

Carlos Heitor Cony FOLHA DE SÃO PAULO

 
Na última reunião com seu ministério, em 23 de agosto de 1954, na crise mais dramática da vida nacional, Getúlio Vargas reuniu seus ministros e pediu que cada um manifestasse sua opinião sobre o que deveria fazer para superar a cólera dos militares que exigiam a sua renúncia e até mesmo sua prisão. Atribuíam ao presidente a responsabilidade pelo atentado que matou um oficial da Aeronáutica.
O ministério não chegou ao consenso. Alguns falaram em renúncia, licença e resistência. Tancredo Neves, ministro da Justiça, estava disposto a morrer, enfrentando os tanques e as tropas que estavam se dirigindo ao Catete.
Desejavam depor ou matar o presidente. José Américo sugeriu que o presidente deveria fazer "um grande gesto", renunciando ou entrando em licença. Vargas pediu aos ministros que mantivessem a ordem e subiu ao seu quarto para fazer o grande gesto. Saiu da vida para entrar na história.
Por Júpiter! Longe de mim e do povo insinuar que dona Dilma faça o mesmo grande gesto de Vargas. Mas bem podia tentar um governo de união nacional, dispensando metade de seus 39 ministros e convocando os ex-presidentes Sarney, Fernando Henrique, Collor e Lula, não para governarem com funções executivas, mas formando um conselho de Estado suprapartidário, a exemplo de outros países, como o Brasil no tempo do Império e mais recentemente no governo Dutra, uma gestão medíocre, mas sem grandes traumas institucionais
A presidente está no início do seu segundo mandato, tem tempo para dar a volta por cima. Seria o fim da picada para o PT, que tenta a hegemonia política, social e financeira, cujo resultado é a corrupção e a impunidade, provocando o protesto de milhões de pessoas que manifestaram o repúdio contra dona Dilma.
EXTRAÍDADOBLOGROTA2014

0 comments:

Postar um comentário

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More