Valentina de Botas:
Alguns perguntam o que vai mudar e do que adiantam essas marchas. Evidentemente, não sei o que acontecerá, mas o que aconteceu: os indignados fomos para a rua mostrar à súcia que o avanço dela estancou e o único caminho à sua frente é o recuo. Nem ricos ou pobres, nem brancos ou negros, mas apenas um país esfregando na cara da súcia lulopetista que ela não é dona do povo brasileiro, desse povo que ela fatia em siglas, uma mais vigarista do que a outra, todas sustentadas pela associação compulsória mesmo de quem não se associa a elas ideologicamente. Onde mais, além das protoditaduras bolivarianas, sindicatos, entidades estudantis e demais movimentos sociais são estatizados, financiados pelo conjunto da população?
Os atos deste domingo ostentam com orgulho a beleza de ser espontâneos e autônomos, não têm dono e são apartidários. Mas não deixam de ser políticos. Também por isso precisarão, sob pena de perder o foco e descontinuarem-se, trazer os políticos e as instituições para as ruas, pois os anseios que expressamos hoje só poderão ser encaminhados institucionalmente com e pelos políticos e instituições de que dispomos. Esses mesmos, omissos e imperfeitos, ou não estaremos preservando a democracia e o estado de direito democrático.
As manifestações também revigoram a resistência democrática, mandam um recado aos opositores que tiverem o mais tênue senso de sobrevivência política e desvanece os últimos vestígios da metafísica chulé segundo a qual indignar-se é coisa de pessimista ou golpista. E, como a vigarice opressora desconhece limites, tem essa coisa de a súcia e seus agregados que fingem serenidade nos acusarem de, resistindo às torpezas do governo, cavarmos um terceiro turno. Ora, todo governante, numa democracia, enfrenta tantos quantos turnos seus governados quiserem; estará constantemente em avaliação e, se honesto e sensível ao pulso da nação, dará satisfações a ela sem fazer prestidigitação com as realidades internas e externas.
Em vez disso, a escória lulopetista borra a fronteira entre o crime e a vítima. O lulopetismo camuflado em próceres camuflados em jornalistas aventam uma grande conspiração contra o PT envolvendo as tais contas do HSBC na Suíça, partidos de oposição e a organização oculta dos protestos. Sei. Ainda que fosse: isso desfaz o petrolão, o mensalão, as mentiras, a campanha eleitoral no esgoto, a incompetência dos governos petistas, rosemaryenoronha, dossiês, a retaliação ao caseiro Francenildo, o favorecimento indecente à empresa do filho do jeca, os gastos secretos nas ditaduras africanas, a indecência da política externa, tudo regido pela conduta miserável de um jeca que só é rei no primitivismo?
Homens e mulheres com filhos no colo, jovens com seus avós, crianças com balões coloridos, de cara limpa, sem danidificar o aparelho urbano nem a propriedade privada ou pública, só conspiram, em plena tarde de um domingo abafado e no meio da rua, a favor de estarem ali semeando um país sem tantas torpezas e livre da escória que as patrocinam. Esse desassombro, inimaginável um dia depois da reeleição de Dilma, confirma o nosso vigor constatado sob a derrota experimentada naquela luta desigual e, sobretudo, prova que os acontecimentos surpreendem a todos que se julgam seus donos. Ah, foi lindo.
EXTRAÍDADOBLOGDEAUGUSTONUNES





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