por Maria Lucia Victor Barbosa.
Em momento inédito fez-se justiça no país da impunidade e membros
importantes da cúpula do poderoso partido governante foi parar na
cadeia. O feito se deveu à tenacidade, à competência, à coragem de um
cidadão de origem humilde, negro que não precisou de cotas para chegar a
presidente do Supremo Tribunal Federal, o ex-ministro Joaquim Barbosa
que já entrou para a história com honra e glória.
Entretanto, com
a saída de Joaquim Barbosa do STF voltou-se atrás e José Dirceu que já
foi chamado de chefe da quadrilha, Delúbio Soares, José Genoino e João
Paulo Cunha, eminentes petistas, já se encontram em prisão domiciliar,
longe dos desconfortos da Papuda.
Como raridade e atributos
equivalentes aos de Joaquim Barbosa surgiu o juiz Sergio Moro e
poderosos foram enfrentados e postos na cadeia. Novamente, porém, o STF
autorizou que cumprissem prisão domiciliar. Acrescente-se que o
Procurador-Geral, Rodrigo Janot, praticamente interceptou o excelente
trabalho que a Polícia Federal vinha fazendo ao impor que esse órgão lhe
prestasse contas. Realmente, somos o país do retrocesso.
Para
piorar não temos partidos na acepção clássica de “uma reunião de homens
que professam a mesma doutrina”. Nossos partidos são clubes de
interesses, não possuem consistência ideológica apesar da maioria se
ufanar de ser de esquerda, comportam-se ao sabor das ambições pessoais,
das vantagens eleitoreiras, buscam o poder pelo poder e seus objetivos
estão bem longe do bem-comum, fim último da politica como disse
Aristóteles.
O PT compartilha esses aspectos com os demais
partidos, mas ao chegar ao poder e nele permanecer até agora começou a
demonstrar características que extrapolam a organização partidária e que
aparecem nitidamente em sentenças do mensalão tais como: extorsão,
crime organizado, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro. Note-se
ainda, que os petistas seguem a lei do silêncio. Nenhum deles quando
preso abriu a boca para denunciar o chefão ou chefões. Delúbio Soares,
ex-tesoureiro do PT, inclusive assumiu todas as culpas e é de se duvidar
que Vaccari, outro ex-tesoureiro do partido envolva algum companheiro
ou peça para fazer deleção premiada. Até agora o ex-deputado, André
Vargas, único expulso do PT nada mencionou, apesar de ter feito
insinuações anteriores à prisão contra correligionários.
Diferente do PT que sempre fez uma oposição violenta, radical,
intransigente, implacável, sendo chamado com razão de destruidor de
reputações, o PSDB, que disputou várias eleições com o PT é um partido
de punhos de renda em contraposição ao tacape petista. E, curiosamente,
ninguém ajudou mais Lula da Silva do que Fernando Henrique Cardoso,
apesar de que durante seus oito anos de governo conviveu com gritos
furiosos de Fora FHC, berrados por militantes petistas em transe de
ódio. Naquele tempo pedir impeachment não desestabilizava as
instituições nem era golpe, como não foi tido como golpe o impeachment
do ex-presidente Collor de Mello.
É evidente também o verdadeiro
fascínio dos tucanos com relação ao PT. Exemplo mais recente é o apoio
do Senador Álvaro Dia e de seu partido, o PSDB, incluindo o governador
Beto Richa a Luiz Edson Fachin, indicado por Rousseff para ocupar a vaga
de Joaquim Barbosa no STF. Paradoxalmente, segundo a revista Veja de 22
de abril de 2015, “a imponente fachada acadêmica de Fachin esconde uma
militância tão abertamente esquerdista que assustou até o ex-presidente
Lula, quando ele se recusou a indicar o jurista para o Supremo”.
Portanto, o PSDB quer ser mais PT do que o PT, o que desanima e
decepciona os que votaram nos tucanos supondo que eles eram oposição.
Quanto ao governador Beto Richa, reeleito com impressionante votação,
logo no início do segundo mandato deu um tapa na cara dos seus eleitores
ao baixar um pacotão à lá Rousseff, tirando direitos adquiridos de
professores e funcionários. O resultado dessa atitude, como não poderia
deixar de ser, foi capitalizado pelo PT e pela CUT, sendo que a mais
recente manifestação de professores contra mudanças na Paraná
Previdência se deu em frente à Assembleia Legislativa. Houve tumulto,
reação da Policia e, em decorrência do fato, já caíram dois secretários e
o comandante-geral da PM, uma maneira não convincente de Beto Richa, o
verdadeiro responsável pela reação de professores e policiais, se eximir
de culpa. Só falta o governador paranaense demitir e processar o
pitbull que mordeu um jornalista durante a manifestação. De todo modo,
Beto Richa entregou em uma bandeja de ouro seu capital politico ao PT e
escancarou a esse partido a possibilidade de uma volta por cima no
Paraná. O PT penhorado agradece mais esse apoio do PSDB. Os paranaenses
certamente, não.
* Socióloga.
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