por Décio Antônio Damin
Penso que, em matéria de ética, moral e bons costumes, estamos sendo
arrastados para o fundo do poço! O tal “presidencialismo de coalizão” é
um eufemismo para encobrir toda a sorte de interesses, patifarias e,
agora, falta de pudor! As votações que se realizam na Câmara estão
escancarando o que, aliás, todos sabemos, mas fazemos questão de
empurrar para debaixo do tapete para não termos que admitir que
realmente não merecemos um regime democrático que possa efetivamente ser
considerado como tal, e que é a chantagem política. A mentira que
campeou na propaganda política do governo que não titubeou inclusive em
arrastar a Petrobras para um nível tão baixo, que talvez até inviabilize
a sua recuperação, ao permitir a corrupção e a venda de combustíveis
abaixo do preço de custo para, maquiando a inflação, ganhar a eleição,
se completa agora com as votações que buscam o “ajuste fiscal”. Quem, de
sã consciência e com isenção pode dizer que não quer o bem do Brasil?
Todos, em princípio, querem e deveriam votar nestas propostas na medida
em que suas convicções determinassem o que é o melhor!
A
expectativa de um governo, ansioso, perturbado, perdido e terceirizado
atropela os fatos e materializa-se nas palavras do Ministro Mercadante e
do Vice- Presidente Michel Temer que ameaçam abertamente os
parlamentares dizendo que quem votar contra os seus projetos não terá as
suas solicitações atendidas! Segundo o Ministro: “...é evidente que as
votações são parâmetros fundamentais para fazer escolhas” e “quem
sustenta o governo tem preferência.” Pode até parecer lógico e elementar
mas verbalizar tal método é, na minha opinião, uma falta de respeito e
de decoro inaceitável. Usam o peso do governo para corromper ou dobrar
as consciências. É um ambiente de “liberou geral” onde tudo é válido!
Prometeu inclusive “acelerar” as nomeações! A mesma ameaça velada, ou
suavizada, embora com a mesma “cara de pau” saiu, segundo o Ministro da
boca do Vice-presidente: “...como disse Michel Temer, é evidente que
quem vota com o governo...terá prioridade nas indicações!.Todos nós sabemos que funciona da forma antes descrita, mas atingirmos o nível da ameaça escancarada é demais, é insuportável! A chantagem governamental com os nossos legisladores deve ser considerada como um crime a ser punido exemplarmente pela sociedade. Alguma coisa tem de ser feita! Não é possível continuarmos, bovinamente, a aceitar tudo e admitir que “é assim mesmo” e que “não há nada que possamos fazer!”
* Médico





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