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21:11
ANDRADEJRJOR
EDITORIAL O GLOBO

Vai-se confirmando uma
espécie de maldição pela qual toda vez que o PT, e em especial a falange
lulopetista, relaxa diante de desdobramentos da Operação Lava-Jato,
surgem novos fatos para voltar a preocupar dirigentes, militantes,
governo e ex-autoridades.
No final de abril, a decisão, por
maioria estreita de votos, da Segunda Turma do Supremo, de relaxar a
prisão preventiva de nove donos de empreiteiras e funcionários das
empresas implicados no escândalo na Petrobras serviu para aliviar o
estado de tensão entre lulopetistas e vizinhos.
Porém, mais uma
vez o desafogo não durou muito. Uma das principais causas do desafogo
com a saída do grupo das celas de Curitiba para prisão domiciliar foi
estar entre os beneficiados o empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC e
Constran, tido como o coordenador do “clube das empreiteiras”, cartel
que, por meio de contratos superfaturados assinados com a estatal,
ajudou a bombear bilhões dos cofres da estatal para políticos do PT, PP e
PMDB. Até um do PSDB, Sérgio Guerra (PE), foi beneficiado.
Os
números da empresa de Pessoa atestam fulgurante sucesso: diretor da OAS,
outra implicada no petrolão, no começo da década de 90, Ricardo aceitou
a oferta da empresa para adquirir a subsidiária UTC, onde trabalhavam
890 funcionários; pouco antes da Lava-Jato, em 2014, a UTC empregava 20
mil, tinha um faturamento de US$ 1,5 bilhão e era considerada uma das
dez empresas mais rentáveis do país.
Pois, já em prisão
domiciliar, Ricardo Pessoa decidiu fazer acordo de delação premiada com o
Ministério Público Federal, assinado quarta-feira, em Brasília, com a
participação do próprio procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Volta, assim, a tensão a governistas e lulopetistas.
Os
testemunhos de Pessoa, a depender dos quais pode ter punições reduzidas,
são considerados valiosos, devido à comentada proximidade do
empreiteiro em relação ao presidente Lula, outros petistas graduados e
ao governo Dilma. Ricardo Pessoa, pela proeminência entre as
empreiteiras, pode ajudar o MP na formulação da denúncia de que muito
dinheiro de propinas, geradas nos negócios na Petrobras, foi
“legalizado” em doações formais a campanhas de petistas e aliados. O
próprio Pessoa, de acordo com a “Folha de S.Paulo”, doou R$ 7 milhões à
reeleição de Dilma, com medo de represália a seus negócios com a a
Petrobras. Nesse, como em outros casos, PT e Edinho, tesoureiro da
campanha e hoje ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social do
governo, garantem a legalidade das contribuições.
Mas, pelo
visto, este assunto das doações, se foram ou não “lavadas” na Justiça
eleitoral, tende a crescer ainda mais com a decisão de Pessoa de aceitar
colaborar com as investigações em troca de algum alívio penal.
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