Jornalista Andrade Junior

sábado, 16 de maio de 2015

“Não culpo o PSDB por nada do que fez o PT, culpo o PSDB por tudo quanto o PSDB deixou de fazer’

 Opinião Valentina de Botas:

Nova York é linda também agora, no último mês da primavera já anunciando o verão. Nunca estive lá. Me disseram que a cidade é destes lugares em que o visitante não precisa ir a nenhum local ou evento especial, pois a grande atração da cidade é ela mesma, ela é o acontecimento. “Você é espanhola?”. Em Istambul, o taxista tenta adivinhar minha nacionalidade num inglês tão pior do que o meu que pensei que ele estivesse falando turco. “Desculpe, não falo sua língua”. “Está desculpada, já sei: do sul da Itália?”. “Sou brasileira”. “Ah, mas então, você conhece meu primo que foi morar no Brasil”. Outra pessoa, mas não eu, diria da impossibilidade disso, que o país é enorme e tal: “Claro, como é o nome dele?”. “Mehmet”.
Acontece que o quinto mês de 2015 nem chegou à metade e já escolheram as personalidades do ano. FHC, uma delas, merece todas as homenagens, eu mesma já o homenageei duas vezes com meu voto. Ao PSDB, então, já perdi a conta entre presidente, governador, senador, prefeito e tal. José Serra e Aécio Neves não viram razão para não contemplar a primavera nova-iorquina e Álvaro Dias a trocou para reverenciar Luiz Fachin e reclamar do “momento nervoso” da política brasileira, em que os ânimos se exacerbam, pois fosse outro o momento, o senador disse, o juiz que fez campanha para Dilma (fora o resto) seria aclamado ministro do STF.
Outro momento? Sei. Se em tal momento o presidente fosse do PSDB e indicasse um cabo eleitoral para o STF, o PT faria do momento algo mais do que nervoso. Se fosse Dilma Rousseff mesmo, mas outra – muito outra – exercendo o cargo com dignidade, ela não precisaria nem desejaria aparelhar a Corte. Assim, alterando sujeitos e circunstâncias, o nome de Fachin sequer surgiria no horizonte de uma nação sóbria. Portanto, o momento com que o senador terá de se virar é este que temos, em que os eleitores dele e o restante são do país estão não exatamente nervosos, mas fartos e enojados com a delinquência da dinastia petista e exasperados com a oposição invertebrada que não os reconhece e se faz irreconhecível para eles.
Não culpo o PSDB por nada do que o PT fez, culpo o PSDB por tudo quanto o PSDB deixou de fazer, como estar ao lado do país sacrificado que resiste democraticamente num exercício cotidiano. Com a presença de um transfigurado Álvaro Dias na sabatina de Fachin e a ausência de Serra e Aécio, consolida-se a certeza de que, nos embates de Brasília ou na mansuetude da primavera em Nova York, o maior partido de oposição distanciou-se do Brasil que presta. O nome de Mehmet está anotado no meu diário de viagem que guardo até hoje. Não o conheço, mas tenho a sensação de que é mais provável reconhecê-lo do que um genuíno opositor em quem já votei.






extraídadoblogdeaugustonunesdiretoaopontoveja

0 comments:

Postar um comentário

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More