por Raquel Landim Folha de São Paulo
Nessas últimas semanas de 2015, o poço em que o Brasil se meteu parece
não ter fundo. É tanta notícia ruim em tão pouco tempo, que achamos ser
impossível piorar. Só que continua piorando.
Enquanto trocar tapas se torna uma vergonhosa rotina entre os deputados,
o Brasil vive problemas reais que não recebem energia política
suficiente para serem combatidos.
Não param de aumentar os casos de grávidas contaminadas pelo vírus zika,
comprometendo o desenvolvimento intelectual dos bebês. O vírus é
transmitido pelo mosquito da dengue, cujo combate foi negligenciado.
Na economia, o Banco Central ameaça subir juros apesar da forte
recessão. Isso porque a inflação chega a dois dígitos graças aos preços
represados no passado.
Outras agências de classificação de risco já avisam que rebaixarão o
Brasil, decisão que se tornou incontornável depois que o governo perdeu o
controle da área fiscal.
São mais alguns bilhões de reais que vão deixar o país, desvalorizando
ainda mais o real e corroendo o poder de compra da população.
E ainda não falamos na queda brutal do investimento, na falta de
infraestrutura, na grave crise da indústria, e na corrupção sistemática
nas estatais descoberta na Operação Lava Jato.
São todos problemas tão graves, que deveriam estar sendo alvo de uma
força-tarefa específica do governo com ampla discussão na sociedade.
Mas isso não acontece, porque as atenções estão voltadas para as
manobras do deputado Eduardo Cunha para avançar um discutível processo
de impeachment da presidente Dilma enquanto salva a própria pele da Lava
Jato.
Vale frisar que ele só consegue o que quer porque o governo não tem
nenhuma força política e faz a pior gestão econômica desde o
ex-presidente Collor.
Brasília vai se esfarelando nessa luta por poder e o país segue
desgovernado sem políticas públicas sérias para problemas tão concretos
quanto a tragédia dos bebês atingidos pelo zika. Até quando?
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