RUY CASTRO FOLHA DE SP
Com os
jornais (não a Folha), rádios e TVs endossando a cada minuto a asneira
de chamar a Paraolimpíada de Paralimpíada, será inevitável que, em suas
próximas edições, os aurélios e houaisses oficializem essa agressão à
língua. A internet, por exemplo, já decretou que o certo é o errado —se
você digitar "Paraolimpíadas" no Google, ele sublinhará a palavra de
vermelho e dirá que você está procurando por "Paralimpíadas".
Sérgio
Rodrigues, em seu magnífico livro "Viva a Língua Portuguesa!",
recém-lançado, discute esse e outros problemas envolvendo nossa atual
maneira de falar e escrever —erros que estão virando "acertos" pelo
poder da mídia, acertos que estão sendo transformados em erros pela
atuação das patrulhas e os modismos sem causa que, de repente,
contaminam até os mais conscientes. Importante: seu livro não tem nem
sombra do mau humor típico dos puristas do passado, nem prega o
liberou-geral que hoje tentam nos impor.
Como se fala? "Andáime"
ou "andãime"? "Gratúito" ou "gratuíto"? "Ióga" ou "yôga"? "Vende-se
casas ou vendem-se casas"? "Incluso" ou "incluído"? Falando em "mídia",
uma importação anglófila, não seria melhor trocá-la por "meios de
comunicação de massa"? (Não!) E o "risco de morte", que está
substituindo o corretíssimo "risco de vida"? E as expressões saídas do
nada e que flanam por aí com a maior naturalidade, como "melhor idade",
"por conta de" e "obrigado eu"?
Sérgio discute a emergência de
palavras como avatar, disruptivo, escopo, gentrificação, proativo,
randômico e outras que, até há pouco, podíamos passar sem. E um capítulo
delicioso é o que explica a origem de "acabar em pizza", "pé na jaca",
"lavagem de dinheiro" e "mensalão".
A língua, para ele, respira melhor quando nada é imposto ou proibido, e os falantes têm a última palavra.
extraídadeavarandablogspot




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