editorial de O Globo
PT
e PSDB digladiam numa briga estéril em torno de quem é o ‘mais
corrupto’, quando o importante é que os organismos de Estado punam seja
quem for
Não se duvida que a corrupção no Brasil seja pluripartidária. Num país
de tão arraigada cultura patrimonialista, em que donos de cargos
públicos costumam misturar negócios do Estado com interesses privados, o
ofício de surrupiar o dinheiro do contribuinte não haveria de ser
exclusivo de algumas poucas correntes político-ideológicas.
Ainda mais depois que o PT e aliados, conhecidos por construir no
palanque um discurso pela absoluta lisura no manejo de recursos do povo,
terminaram nivelados por baixo nos subterrâneos das traficâncias
financeiras mais tenebrosas. A ponto de desestabilizarem a maior empresa
brasileira, a Petrobras, num escândalo de dimensões para além das
fronteiras. Os malfeitos do lado do PSDB também não podem ser
esquecidos. Por exemplo, a primazia de ter sido o partido, na sua seção
mineira, em que Marcos Valério, então um lobista e operador financeiro
do mundo da política atuando também como publicitário, testou a
tecnologia de lavagem de dinheiro desviado dos cofres do Palácio da
Liberdade, por meio de campanhas publicitárias fajutas articuladas com
empréstimos forjados em bancos mineiros.
A cúpula do PT da campanha de Lula de 2002 se interessou pelo know-how
de Valério, e foi assim que surgiu o mensalão mais famoso que o mineiro.
O sucesso não foi absoluto porque o tucano de Minas Eduardo Azeredo
perdeu a eleição em que atuou o valerioduto, e já foi condenado em
primeira instância — renunciou ao cargo de deputado federal, para
escapar do Supremo, e levar o processo a percorrer, certamente de forma
demorada, todas as instâncias iniciais. E Valério, bem como petistas
ilustres terminaram presos — José Genoino, Delúbio, José Dirceu. Já no
estado de São Paulo, a grande cidadela tucana, a imagem do PSDB já
carrega a mancha da conivência com um cartel de fabricantes de trens
(Alstom, Siemens) envolvido numa história de denúncias de corrupção em
que um dos principais acusados foi chefe da Casa Civil no governo Mário
Covas, Robson Marinho, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do
Estado. E dono de contas na Suíça.
Por estes dias, enquanto o lulopetismo sangra na Lava-Jato, com
revelações sobre o sítio e o tríplex reformado por empreiteiras para
agradar (ou ressarcir) Lula, estourou mais um caso tucano: fraude no
fornecimento da merenda escolar, com o suposto pagamento de propinas a
gente ligada ao governador Geraldo Alckmin.
O PT não perde a oportunidade de alvejar o governador, um dos prováveis
candidatos ao Planalto. O próprio Lula atua no canhoneio, numa tentativa
de redução de danos. O importante é que tudo seja investigado, com o
mesmo rigor da Lava-Jato. Sem deixar de lado a menção do senador Aécio
Neves (PSDB-MG) em delação premiada de amigo de Dirceu sobre esquemas em
Furnas. Não importa que seja pouco verossímil um tucano ter feito
nomeações no governo Lula. Deve-se é checar, sem preocupações com
partidos e pedigrees políticos, e punir, como tem sido feito até agora.
extraídaderota2014blogspot





0 comments:
Postar um comentário